Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

É greve doutor?

Que que penso de greve?

Tá aí um assunto polêmico, imediatamente associado a ser de esquerda ou de direita, liberal ou conservador, proletário ou proprietário. O que dizer de greves?

É fácil dizer: Sou a favor de greve! O trabalhador tem todo o direito de defender seus interesses!Também é fácil dizer: Greve nem pensar! Ficar uns dias sem trabalhar, recebendo e ainda pedindo aumento? Ainda por cima atrapalha os outros!

E aí?O trabalhador tem todo o direito de defender seus interesses. Senão os patrões fazem o que querem. Ser capacho pra quê? Se o chefe não quer atender a reinvindicação, é só mostrar pra ele: veja bem, você não me dá ouvidos, mas eu sou fundamental para o seu ganho! Como é?

Mas tem gente que extrapola. Sou contra quebra-quebra e parar avenida. Por que? Ora, você está entregando de bandeja o argumento contrário pra quem é contra greve. "Olha só, vocês param a rua, atrapalham todo mundo". "Estão quebrando o patrimônio público!". Quebrar algo é deixar a marca do "vandalismo brutal" como os reacionários logo argumentam.

Sobre as ruas, os manifestantes dizem que é pra mostrar ao povo suas argumentações. Olha, o povo não tem nada a ver com seus problemas (é cruel, mas se pensa assim). E aí você vai tentar apresentar seus argumentos parando ele no trânsito e atrasando seu dia? Não!Vamos inovar!

Greve sim! Mas não essas greves clichês. Greve tem que ser algo bem bolado, muito bem planejado, de modo a fazer todo mundo pensar, talvez até rir.

As greves, manifestações e atos deveriam ser planejados por uma junta de humoristas!

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Penso Logo Twitto

Que belíssimo esse momento de confraternização entre as partes! Os que xingavam o Sarney desde que ele era do Arena [o partido da Ditadura, não o programa do Cléber Machado], a esquerda histórica, opositora do dono do Maranhão e autor de Harry Potter e a Câmara e os Atos Secretos hoje tem o apoio da mídia, empenhada em derrubar o maligno presidente do Senada, que empregou neto, cunhado, bisavô e até o Tarso Genro.

E nesse momento belo o DEM, PT, PSDB e PMDB fazem uma ciranda de apoios e desapoios, com DEM apoiando sua eleição com PT oposição e agora se dá o inverso e o presidente, daquela esquerda lá, deixando claro que o hômi merece um tratamendo diferenciado [eu já sugeri a cela individual mas ninguém me escuta].

E recentemente, nos palcos do Twitter, com a campanha #ForaSarney, a nata do intelectualismo brasileiro, representados por Rodrigo Scarpa [Repórter Vesgo], Marcos Mion [MTV], Júnior Lima, Tico Santa Cruz [Detonautas] e Bruno Cagliasso[Globo] iniciara uma valiosa cruzada pela democracia. Como? Pedindo ao dono do Twitter mais popular, o ativista internacional Ashton Kuchter[Cara, cadê meu carro?] que ele simplesmente escrevesse a palavra #ForaSarney em sua página.

Lamentavelmente, movido pela cega razão da autodeterminação dos povos, o astro de Hollywood retrucou que essa é uma luta dos brasileiros e "Só vocês podem lutar pelo acreditam". Essa atitude afrontosa com a população brasileira lhe custou, imidiatamente, a exclusão de seu nome da lista de indicados ao Nobel da Paz.
Povo brasileiro! Vamos aguardar! [Loading...]

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Coluna Corrida!

Coluna Corrida!

Big Brother Sam

Os tempos realmente mudaram. Agora os EUA não reconhecem um golpe militar.

Lembra do tempo em que eles é que davam uma forcinha?

FHXiii

Nessas festividades dos 15 anos do Real, alguns tucanos falaram das privatizações...

Olha... não acho muito recomendável elogiar a privatização na área de telecomunicação, né Telefônica?

Real-trotters

Do jeito que as apresentações de jogadores estão pop, dando repercussão e atraindo dezenas de milhares de torcedores no estádio, sem falar na venda de uniformes, o Real Madrid nem precisava mais jogar futebol.

Imagina que perigo o jogador se machucar?

O jeito é formar o novo globe-trotters

Hasta neverland

[Pra compensar ontem, que eu não postei nada por aqui, hoje tem bastante coisa!]

Eu acho que a morte do Michael já vendeu mais dvd que a morte do Che Guevara vendeu camiseta.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Quando a própria vida não é suficiente

O artigo 43 do Estatuto da Criança e do Adolescente é claro: “a adoção poderá ser deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em motivos legítimos”. A definição é isenta de qualquer referência ao sexo das pessoas que pretendam realizar a adoção, considerando mais relevante que qualquer discussão sobre sexualidade a saúde e o bem-estar do Adotando. Alguns casais homoafetivos vêm se beneficiando do caráter liberal e avançado do ECA, ao menos no que concerne a esse mérito.

Contudo, mostrando como o preconceito pode travestir-se de preocupação social, o deputado do PMDB Alagoano, Olavo Calheiros, irmão mais novo de Renan Calheiros, tem um projeto de lei que pretende mudar esse cenário. É surpreendente ler logo no primeiro artigo do Projeto "Essa lei tem por finalidade vedar a adoção por homossexuais". Um assunto tão delicado quanto a adoção, relacionado com a discussão sobre sexualidade e preconceito, não mereceu do deputado argumentação maior que o texto redigido em uma folha de sulfite, onde descreve segundo seus ensejos os motivos para o veto.

De acordo com o projeto do deputado, "Toda criança deve ter direito a um lar constituído de forma regular, de acordo com os padrões da natureza", o que seria impossível para um casal homoafetivo, na concepção de Olavo. A carta segue afirmando que "A adoção por casais homossexuais pode expor a criança a sérios constrangimentos" e define como dever do Estado "por a salvo a criança e o adolescente de qualquer situação que possa causar-lhes embaraços".(seria o fim do Bullyng?)

Não é uma opinião tão unânime quanto a simplicidade com que a questão foi abordada pelo Deputado faz parecer. Em entrevista ao site do Centro Latino Americano de Sexualidade e Direitos Humanos, que move um abaixo-assinado contra o projeto do Deputado, a desembargadora aposentada Maria Berenice Dias afirma: “Há um princípio que veda o retrocesso social: a lei não pode retroceder. E esse projeto vai contra esse princípio. O próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) admite a adoção por pessoas sozinhas, sem restrição à orientação sexual”. A jurista ainda reforça: “a família não é constituída exclusivamente pelo casamento. Até 1967 era assim, mas na Constituição atual O conceito de família abrange tanto o casamento, como a união estável e a família monoparental, também sem qualquer restrição quanto à orientação afetivo-sexual de quem a compõe”.

Choca que equívocos como este existam. Olavo deveria representar sua população. Assusta. Mas, a julgar pelo sobrenome, não deve ser por vias exatamente democráticas que a criatura ocupa a sua cadeira. Como saber, né? De toda forma, ainda não me parece plausível que, século XXI já a uma década adentro, ainda exista tão antiquada objeção.

Casais homoafetivos não procuram filhos com similares características genéticas. Seria absurdo tentar convencer que a criança foi gestada pelo casal. Eis aí uma possível solução para crianças de três quatro anos que permaneceram confinadas em orfanatos por não se parecerem com os possíveis pais adotivos quando jovens. Espero que esteja evidente que não vejo preferências entre a adoção hetero ou homoafetiva. São apenas procuras diferentes.

Será que o deputado tem tanta certeza que crianças prefeririam não ser adotadas a receber um lar homoafetivo? Essa demonstração de incivilidade do Deputado só não émais surpreendente porque não se trata de um cargo cujos ocupantes em geral costumam apresentar grandes preoupações civis. Carentes de representação, nós, população, urgentemente necessitamos de alguém que nos adote. Acima da idade preferencial, sem nos parecermos com ninguém que pretende nos representar, a chance de deixarmos a condição de órfãos é minúscula. Negro, Homossexual, cadeirante, político honesto, ou qualquer outra minoria em que se enquadre, sinta-se à vontade para defender nossa voz.

liberdade de excreção

reiterando a conclusão do Renato Diniz, com quem finalmente concordo.
A torto e a direito repete-se o argumento de que a obrigatoriedade do diploma coíbe a liberdade de expressão e resume-se a uma estratégia para criar reserva de mercado. Se considerarmos quem são os defensores destes argumentos, não valeria nem a discussão: GilmarMendes e asseclas, além de um sem fim de jornalistas, empregados em grandes empresas de comunicação, nas horas vagas blogueiros -ou vice e versa- que parecem odiar a universidade, sob a alegação de que não aprenderam nada durante a graduação.

Desconsidera-se, para este fim, a já obsoleta querela entre blogueiros amadores e jornalistas blogueiros sobre a qualidade da informação disponibilizada nos blogues. - Como se a informação oferecida pela mídia tradicional fosse assim tão crível e valiosa. E, mais absurdo, não se percebe que pluralidade da própria discussão on-line desmente o argumento.

Vamos gastar disposição, e deixar até este fato de lado.

Ainda sim, o argumento é risível:
Qualquer pessoa que eventualmente tenha considerado pensar deforma crítica o jornalismo que se lhe oferece, sabendo da hierarquia das redações, nota que jornalista algum escreve o que quer, seja ele diplomado, condecorado, pós-graduado faixa-preta ou recém alfabetizado. Cada linha de um jornal, cada matéria de programa de rádio, cada frame dos programas de televisão deve estar de acordo com a linha editorial. O Bonner não diz "Boa Noite" sem o aval do Kamel.

Quanto a reserva de mercado, seis mil jornalistas formam-se anualmente.
Oitenta mil profissionais estão empregados.
O jornalismo sofre com a crise econômica, não a das hipotecas norte-americanas, mas outra causa da pela obsolecência de seus métodos (A próxima eleição para a presidência do país deve ser bravamente disputada não mais nos debates do cátodo antiquado, mas no YOUTUBE e no TWITTER).
É um mercado agonizante.
Espero que resista, ainda quero ver as prensas funcionando, longe dos museus.
Não vai acabar, mas vai mudar radicalmente.
Quando? Sabe Deus. Ou o diabo, que é da jaez dos homens da imprensa.
Seja como for, definha.
Que há pra se reservar, cara pálida?

Eu me explicando melhor

Sobre o post "A choradeira do diploma" do dia 18, última quinta:

Admito, antes de mais nada, que cometi dois grandes equívocos. Primeiro, não organizei meus pensamentos no texto. Ficou tudo confuso e posso ter dado a entender que sou contra o diploma de jornalista. Se transmiti essa idéia, cometi o grave pecado para um aspirante a comunicador: não me fiz compreender. Me falta experiência.

O segundo erro, e mais grave, foi o de ter criado uma cortina de fumaça sobre o fim da obrigatoriedade do diploma, dando mais peso às reclamações de jornalistas e estudantes de jornalismo de que "agora todo mundo é jornalista" e "jornalismo acabou". E pela fumaça fui o primeiro a bater a cara na parede.

Me faltou a percepção de que naquele momento (e porque não? Até agora) o mais sensato seria me opor a essa absurda decisão do Poder Legislativo (que não tem capacidade de atender a população, quanto mais de perguntar sua opinião).

Acabei me deixando levar pela irritação de ouvir repetidamente argumentos sem fundamento de que a profissão acabou. Argumentos de pessoas que sequer refletem sobre a profissão, nem têm base teórica ou prática, mas têm prazer em se fazer de vítima e em seguida ficar de braços cruzados.

Por fim, quero deixar clara minha posição: não existe democracia sem jornalismo. Mas não pára por aí, como o STF quer fazer entender. Não existe democracia com jornalismo irresponsável. Para ser jornalista, o profissional precisa acumular uma série de conhecimentos de ciências humanas e diversos treinamentos práticos da área.

É ingênuo (por parte de leigos na comunicação) acreditar que para tornar-se jornalista é necessário simplesmente a prática. Cria-se assim um peão que mal sabe do que está falando e que apenas retransmite as valores que recebeu sem perceber.

É mentiroso (por parte do STF, de políticos e de empresas de comunicação) defender que a exigência do diploma é um desrepeito à democracia. Fere a Constituição? Ora, se a Constituição foi escrita há 21 anos, só agora Gilmar Mender percebeu isso? Desrepeito à democracia é permitir que uma pessoa sem o devido preparo teórico fale às massas com ar de dono da verdade.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Me explicando melhor

Então vamos brincar de disconcordar.

Pra começar, um mea culpa. Relendo meu próprio texto, vi o assassinato à retórica que cometi. Comecei criticando as lamentações de quem é a favor da obrigatoriedade, depois acabei defendendo a obrigatoriedade do diploma por alguns argumentos tortuosos.

Errei porque, provavelmente influenciado por algumas frases que ouvi, não aguentava mais argumentos sem conteúdo, senso-comuns [me pego numa dúvida quando a plural aqui], e a citada choradeira.

Talvez não fosse a melhor hora de problematizar as faculdades quando o que está fervendo é a questão profissional. Acabei fazendo uma cortina de fumaça, mas eu mesmo bati a cabeça na parede.

Também sou um dos que lamentam a decisão do STF. É estranho achar algo insconsticional, (olha só?) 21 anos depois que a Constituição foi escrita, como é o caso da Lei de Impresa. Acredito que a leitura da Carta não toma tanto tempo... não duas décadas.

Concordo com os argumentos do Thiago Teixeira. O lide de um grande jornal, sua primeira página, fotos, uma notícia no Jornal Nacional e um comentário no rádio têm o poder de eleger um presidente, como já aconteceu. Por isso, é necessário uma formação superior para manejar a notícia, filosofar sobre o fato, e mais ainda, ter consciência do que o jornalismo é capaz dentro da sociedade.

Além disso, é fundamental a criação de um conselho federal que fiscalize e puna os excessos e irresponsabilidades cometidas pelos profissionais da notícia. Diploma só não basta.

No entanto, um grave problema que sempre vai seguir a questão do diploma é o denotativo. Como definir jornalismo? O que é ser um colaborador do jornal? E o texto opinativo, pode ser escrito por um cidadão comum? Vamos pensar, por que não?

Sim, vamos protestar contra o STF, contra os oito juízes que não levaram em conta o suor jornalistico, contra os jornais e representantes de empresas da mídia que falam demagogicamente sobre democracia.

Mas reforço minha afirmativas do primeiro texto. Não vamos fingir que antes da votação desta quarta tudo era lindo e que as faculdade de jornalismo são perfeitas.