sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Magnífico!

Eleições para reitor na USP. O vencedor é o cientista Glaucius Oliva. O segundo colocado é o jurista João Grandino Rodas. Mas é necessário que o governador do Estado de São Paulo escolha o candidato a tomar posse.

José Serra (PSDB) escolheu Rodas.

Sem nos aprofundarmos na questão de o que o governador deve fazer, ou de que regra é essa que a votação não vale nada, olha só porque o governador fez a sua escolha:

"Serra não conhece bem o cientista e tinha poucas informações sobre sua experiência administrativa." segundo noticia o Estadão.

Numa só tacada, Serra aparece como alguém mal-informado e mal-assessorado. Desse modo, que condições ele tinha de escolher o novo reitor?

sábado, 7 de novembro de 2009

O professor e o aluno

A pergunta:

Prezado Aluno de Jornalismo. Prezada Aluna.      V. estudou ou vai estudar, gratuitamente, na UNESP nestes quatro anos. Mas não existe almoço gratis: Quem paga seus estudos é o contribuinte. É obrigação ética da Universidade prestar contas do que está fazendo com os recursos da sociedade.     V. acha justo boicotar o ENADE neste domingo para negar esse direito da sociedade?     Somos jornalistas para nos colocarmos contra os interesses sociais, através da omissão, ou para defender os interesses coletivos?      Não embarque na maniPulação político- ideológica. Seja você mesmo, ouça a sua consciência, pense no seu país, pense grande, atenda ao pedido da sua Universidade.     Precisamos da sua avaliação honesta, sincera, ética.    Não negue sua particicpação cidadã, neste domingo. Responda o ENADE.      Obrigado.      Prof. Dr. Pedro Celso Campos     Coordenador do Curso de Jornalismo

A resposta: 

Prezado Professor de Jornalismo.

Posso estar assinando meu óbito acadêmico mas, acreditando na boa intenção do professor e supondo uma afinidade que o professor possa ter com as idéias democráticas de Voltaire , respondo ao e-mail:

Bem sei que não existe almoço grátis. Nem curso superior . Quem os paga é o contribuinte. Acontece que os alunos do curso superior público também são contribuintes,o lobby imobiliário de Bauru que o diga. Como o senhor afirma, não existe mesmo almoço grátis, nós o pagamos.

Ainda na condição de contribuinte, afirmo não saber muito bem o que está se fazendo com os recursos públicos, não só na universidade como em outros âmbitos. Seguramente, contudo, sei que a UNESP dá muito maior retorno à sociedade com seus projetos de extensão que com os resultados do ENADE, que a comparará com universidades onde projetos com esta finalidade são impensáveis.
Não acho justo o boicote ao ENADE. Justo seria que a UNESP não se prestasse a esse tipo de ranqueamento barato que só serve para dar suposta credibilidade para a publicidade de famosas fábricas de diploma com qualidade questionável.

O professor bem sabe, muito melhor que eu, que a palavra é o signo ideológico por excelência. Tanto o Boicote proposto pelos centros acadêmicos, quanto o apoio à prova sugerido pelo professor é uma manifestação ideológica. Mas não os acuse de manipulação: a decisão de boicotar aprova foi tomada em assembléia, votos contados nos braços estendidos de cada aluno. Como se decidiu que a UNESP deveria compactuar com o ENADE? Foi de forma mais democrática que as assembléias do centro acadêmico?

O ENADE, que, por exemplo mais gritante, avalia escolas de Psicologia que privilegiam mediações teóricas distintas, muitas vezes opostas, com a mesma prova, e nem mesmo considera disparidades sociais entre as universidades, pode ser considerado ético? Como seria honesto, sincero e ético, de acordo com a recomendação do professor, aceitar tal prova?

Quando houver uma avaliação que vise diminuir as diferenças ao invés de evidenciar as discrepâncias na qualidade de ensino entre as universidades (pratica vantajosa apenas para quem acredita na proposta liberal de educação, eliminando as menos "competentes"), tenho certeza que, não só eu , como qualquer centro acadêmico que se preocupe com a qualidade do ensino que sua universidade oferece irá apoiá-la.

Professor, admiro sua competência e sua ética, as quais pude observar quando seu aluno. É confiando nestas qualidades que acredito possuir a liberdade de responder ao seu e-mail e ainda esperar que tenham divulgação similar ambas as opiniões. Agradeço de antemão o espaço para a manifestação da visão contrária.

Atenciosamente

Thiago Teixeira
Aluno do Curso de Jornalismo e Contribuinte

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Psiu

Psiquiatra mata 12 pessoas em base dos Estados Unidos

Esse cara está precisando urgentemente de um psicopata.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Diploma pra quê né?

Foi com surpresa que vi a assinatura de Judith Brito no fim de um texto tortuoso e mais de uma vez incoerente da presidente da Associação Nacional de Jornal a respeito do fim da exigência do diploma de jornalismo.

Antes de mais nada leiam o texto.

Judith considera quase criminosa a iniciativa de parlamentares de revogar a decisão do STF, intituição responsável por mais de uma decisão parcial e duvidosa, a mais alta corte do país, como lembra a autora.

A presidente da ANJ parte da sábia classificação "o que vem da ditadura é ruim", por isso, jamais aceitará a exigência do diploma.

Mas o que mais chama a atenção pela falta de coerência é a afirmação:

"Quanto melhor preparados os profissionais de jornalismo, melhor para os cidadãos, que terão à sua disposição informações de qualidade para formar suas opiniões, para melhor entender o mundo em que vivem. Os bons cursos de jornalismo, além de ensinar as melhores técnicas para o exercício da profissão nos diferentes tipos de mídia, dão a seus estudantes a formação humanista indispensável para esse papel de interlocução com a sociedade."

Lá no fim do texto, Judith praticamente nos pede para ignorar essa afirmação:

"Disse o Supremo que a liberdade de expressão não pode ser condicionada de nenhuma forma. Quem quiser ser repórter de um jornal, por exemplo, poderá pretender sê-lo independente da formação que tenha. Da mesma forma que não se pode exigir qualquer condicionamento prévio para quem queira escrever um livro. Esse respeito à plena liberdade de expressão permite que talentos que não tenham diploma de jornalista possam dar sua contribuição ao jornalismo e à sociedade."

Afinal de contas, o jornalista deve ter boa formação ou simplesmente se quiser, irá se tornar repórter de um jornal?

Então a decisão do STF favorece quem tiver talento para jornalismo? Como disse meu amigo Thiago Teixeira, aqui nesse mesmo blog, "talento de cu é a rola". O argumento do talento é pouco claro para defender a não-exigência do diploma. Afinal de contas, quem tiver talento vai conhecer todas as teorias e e metodologias do jornalismo? Acho bem improvável.

Pra encerrar, lamentável ver a presidente de uma entidade tão importante usando o discurso típico de colunistas sem conteúdo e de políticos populistas, ambos conservadores até a medula:

"Agora, temos essas iniciativas parlamentares vindo na contramão da História"
e
"Vamos olhar para frente e concentrar nossos esforços e energia na modernização do país e na consolidação dos princípios democráticos."

Oi?

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

assistencialismo pois

simples assim:
Os investimentos do Bolsa Família, assistencialistas e eleitoreiros , elevaram o PIB em 43 bilhões.
Os pacotes financeiros usados para proteger a economia de mercado no início do ano estão dando outro tipo de resultado. O Japão deve ter percebido que não é grande negócio.
Acho que não dá mais pra manter o discurso de "não dar o peixe, mas ensinar a pescar". Quem o sustenta, acomodado nas metrópoles e megalópoles do país, não tem consciência de que em alguns lagos não há peixes, que, se doarmos alguns daqui, quem sabe eles não se reproduzam por lá?
Esta metáfora me parece funcionar muito bem.
A proposta, funcionou melhor ainda.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A questão de ser Brasileiro

Sergio Malbergier tem vergonha de ser Brasileiro.
Talvez tivesse mais orgulho se fosse conterrâneo de Freud, Einstein ou Kafka...
Logo de início, alega que o holocausto é incomparável à escravidão, por seu caráter genocida. A escravidão escolhia suas vítimas por fenótipos, não religião.
Mas não entro neste mérito.
Sergio só falou de holocausto pra dizer que ficou indignado com o presidente Lula, que recebeu o presidente"democraticamente auto-eleito" do Irã, que tem uma mania bizarra de negar uma das maiores atrocidades da História (e um dos temas mais explorados por hollywood) .
Não dá pra dizer que a diplomacia brasileira é assim tão genial (quanto esse egípcio ), mas, se o Obama estava encorajando o encontro, por que não? Alguém precisava falar com o cara. Diferente do que dizem alguns Republicanos, é com terroristas que se negocia (morre muito menos gente quando se sacrificam alguns neurônios) . Abrir fogo não deixa de ser uma forma (primitiva e estúpida) de negiocar , por meio da força. Normalmente acaba mal.

Esta semana a Veja tem uma capa com um passarinho invocado, criticando a atuação internacional do Itamaraty e de Lula em Honduras. O que atrapalha as contestações da revista é que nem mesmo o Micheletti fala mal da diplomacia nacional. E a Newsweek e a Time dão ainda mais moral pro ex-metalurgico.

Mais recentemente, seis deputados resolveram visitar Honduras. Foram negociar com terro... com a ditadura de facto . Raul Jungman, do PPS, se disse surpreso com as declarações (absurdas) de brasileiros em Tegucigalpa. Surpreendente também é o líder de um partido esquerdista criticar o governo do país por se opor a uma ditadura.

Como se pode perceber, a maior oposição ao Itamaraty está no Brasil, onde é possível sair do trabalho e se reunir com os amigos num bar qualquer para confortavelmente assistir ao Jornal Nacional.

P.S.: Esse post quase não saiu, por culpa do Roney.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

javanês econômico

Economia é um assunto complicado, mesmo.
Após o Discurso de Lula na Assembléia Geral das Nações Unidas, deve ter se tornado ainda mais complexo. Só isso explica uma divergência tão singela entre Folha e Estadão,
ou não...
Pois bem, enquanto o Estadão diz que o presidente acha que o mundo tem intervenções demais e a Folha divulga que Lula quer maior participação do governo na economia, o que o politicamente correto discurso do ex-metalúrgico preconiza são as velhas bases teóricas da economia que elegeram Obama: lutar contra subsídios que impossibilitem a disputa comercial internacional e, em contrapartida, a adoção de medidas que regulem o mercado.
Em outras palavras, é juntar idéias liberais, contrárias aos incentivos fiscais, com projetos Keynesianos de intervenção na economia: simplesmente um paradoxo, como estamos acostumados.
Incoerente ou não, ou este é o fim ou é a solução.