terça-feira, 9 de novembro de 2010

Salve CQC - ou não

Pergunta: O CQC é um bom programa ou já está apelando?

Quando o Pânico na TV surgiu, há 7 anos (estou ficando velho), o programa era o máximo. Parecia algo impensável um repórter fazer piadas com o próprio entrevistado. Eu assistia o programa inteiro para poder ver o Vesgo e o Sílvio cobrindo festas. Eis que uma professora minha profetizou: "Eles são ricos e engraçados. Daqui a pouco ficam milionários e sem-graça".

E foi o aconteceu. O programa ficou repetitivo, agressivo, e não saiu daquelas histórias de sandália da humildade, porrada no Vesgo e tudo mais.

Aí surgiu o CQC. Era o Pânico politizado e com mais conteúdo. As piadas não eram mais sexuais (apenas). Tinha crítica, posicionamento político, crítica social. Os deputados tinham que responder as perguntas capciosas e se não respondessem pegava mal. Rafinha Bastos, na bancada ao lado de Marcelo Tás, dava voz às piadas pesadíssimas enquanto Marco Luque era o responsável pelas piadas (nem um pouco) inocentes. Surge também o Top Five, e as mazelas da TV brasileira são expostas. Genial.

Eis que... Danilo Gentili começou a apanhar (Vesgo 2?) Tudo bem, era o ímpeto "jornalístico" pela notícia, pela entrevista. Forças ocultas agiam contra o programa televisivo. Mas depois, Rafael Cortez começou a distribuir selinhos em atrizes (Vesgo 2...).

Não dá pra dizer se a máscara caiu e dizer que de programa revolucionário, o CQC parece ter virado reacionário. Tás, durante a greve de estudantes da USP, chegou ao escrever no seu blog "Cadeia nesses vagabundos!" se referindo aos estudantes. Parecia até apresentador do Balanço Geral.

Durante a eleição de Dilma Rousseff mais uma do CQC pegou mal: "Danilo Gentili foi agredido por militantes do PT" denunciou Tás no Twitter. Absurdo, com certeza. Mas não era nada disso. Ele mesmo admitiu depois no Twitter: "Danilo Gentili foi agredido por seguranças do hotel onde Dilma estava hospedada". Segurança virou petista. Para completar, o apresentador dizia "Assistam o CQC e tirem suas próprias conclusões". É, pego mal para o CQC, pelo menos na minha opinião.

O CQC levanta diversas questões: é um programa jornalístico? Deve ter espaço numa entrevista coletiva? [vamos lembrar que os próprios jornalistas esportivos pediram a saída dos humoristas em entrevistas durante a Copa]. Alías, o que o CQC faz é jornalismo? A Revista Imprensa, em 2009 apontou os programas humorísticos com uma das causas da futura morte do jornalismo.

Bom, parece que daqui só vai sair uma chuva de críticas, mas pelo contrário. Eu adoro o CQC, acho o melhor programa da TV na atualidade e quando não consigo assistir vejo na Internet.
Acho que Marcelo Tás é um ícone do jornalismo de humor - daí pra saltar dizendo que é jornalismo eu fico em cima do muro. Se não concordamos sobre o jornalismo, garanto que entretenimento mais informativo que o CQC não há.

Na verdade, os repórteres do CQC fazem algumas perguntas muito melhores que as de outros jornalistas. A criatividade das matérias, dos assuntos e das edições acabou servindo de lição para o noticiário fraquinho que a gente via por aí. Alguns dos assuntos levantados no programa pautaram o noticiário nacional - violência de seguranças, mordaça aos humoristas são alguns exemplos.

Há quem diga que o programa ridiculariza o jornalismo e a política. Eu acho que o programa questiona e altera ambos.

E vocês? O que acham?

sábado, 16 de outubro de 2010

Quem vai limpar a bagunça?



Mesmo sendo um cara de muita fé, quando observo o panorama atual, sinto um forte desânimo. Muito a se fazer, muita sujeira, ninguém sabe como se chegou a esse ponto, nem sabe quem fez isso, quem deixou de fazer aquilo - quando sabe, deve algum favor para os culpados, e aceita o pacto de silêncio. Seja como for, ninguém toma providências para contornar a situação.

A pressão por reforma é intensa, mas já não se espera muito dos que deveriam resolver o problema, tanto que nem são mais cobrados pela solução. A sujeira vai se acumulando e a conivência nos torna igualmente culpados. Alguém reclama aqui, outro acolá, mas "é melhor não chiar muito que algum podre meu pode aparecer"!

Ficamos à espera de uma ação do terceiro setor, de alguém que se disponha a resolver tudo, gesto tão é tão raro quanto árvores paulistanas. E quando aparece alguém querendo mudar tudo, quer tudo do seu jeito, não aceita negociar, o que sugere um cenário pior do que o atual. Como ninguém tem tanta coragem pra se envolver em tamanha bagunça de graça, ficamos nas mão do setor terciário, que cobra, e caro, bem caro.

Ainda assim, espero de forma mui cristã que, em 10 anos, eu possa ver a cozinha da República em que moro sem essa pilha monstruosa de louça, talheres e fungos que se hospedaram na nossa pia!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Uma Tropa do Barulho

O filme Tropa de Elite 2 não é exatamente a continuação do filme Tropa de Elite. É na verdade uma desconstrução do primeiro filme: Capitão Nascimento, agora Coronel e sub-secretário percebe que tudo o que havia feito - entrar em favela matando traficantes - era manter o "Sistema" (no sotaque do personagem, sissstema) que ele tanto incriminava.

No primeiro filme, há um maniqueísmo entre o policial honesto linha-dura no lado do bem e o traficante desalmado e policiais corruptos ou no mínimo negligentes no lado do mal. Agora, Coronel Nascimento percebe que não deveria lutar contra traficantes, nem contra usuários de drogas que sustentam traficantes. O problema vem de cima.

No primeiro filme há uma série de bordões jogados para o espectador. No segundo há uma série de detalhes de uma trama muito mais grave que um tiroteio ou uma invasão numa favela.

Em Tropa de Elite 2, o protagonista entra para o "Sistema" para tentar combatê-lo por dentro. Inicialmente percebe que aos poucos estava se entregando ao "Sistema", depois percebe que sempre fez parte dele. Que sempre fizemos parte dele. Matando traficante, o Capitão Nascimento não encostava em nenhum um fio de cabelo dos políticos que favoreciam o tráfico.

Tropa de Elite 2 é uma aula de ética sem citar qualquer teórico. Além disso, é uma aula de jornalismo: um dos vilões é apresentador de um daqueles famigerados programas policiais do tipo "espreme que sai sangue" que tem na televisão. Parece até uma referência ao apresentador Wallace Souza, de Amazonas, que encomendava mortes para poder exibir os corpos na TV. Outra personagem-chave é uma jornalista que vai até fundo nas investigações do tráfico aliado à política.

Aliás, política é o principal assunto do filme. "Em ano de eleição..." é a frase mais repetida pelo Subsecretário Nascimento. Tudo gira em torno de eleição. Além disso, a parte mais genial do filme é o fim da eterna dicotomia esquerda-direita. O protagonista começa ridicularizando os "intelectuais de esquerda", depois passa a depender deles. Do mesmo modo, o professor de história que casa com a ex-mulher de Nascimento começa desprezando as idéias de "bandido bom é bandido morto" do capitão do Bope, mas acaba precisando dele para instalar uma CPI. Os dois percebem que tinham os mesmo objetivos mas falavam línguas diferentes.

Na verdade, o filme rechaça o "Sistema" fazendo parte do "Sistema" - o que dizer de um filme popular cheio de patrocinadores? Cheio de telespectadores? Que em breve passará na TV Globo? Mesmo assim, o filme é o ataque perfeito ao "Sistema".

Ah, e diga-se de passagem, a escolha da música "O Calibre" dos Paralamas do Sucesso para fechar o filme foi genial.

Bom, e se Tropa de Elite virou filme da Sessão da Tarde, fica a sugestão de títulos: "Uma Tropa do Barulho" "Um Capitão da Pesada" ou até "As Aventuras de Capitão Nascimento"

sábado, 9 de outubro de 2010

desibernando

O blog estava parado há tempos, prcisava de uma causa séria pra ressucitar.
As eleições estavam muito mornas, sem um debate sério. Surgiu um.
Segundo turno rolando, minha insossa candidata disputa com uma versão geriátrica de Mark Schreck. Tudo muito previsível, motivos de sobra para o blog continuar hibernando: a queda de braço que tende a marcar os livros de história do futuro como a disputa entre os liberais privatistas tucanos e os liberais estatistas vermelhos não é exatamente uma disputa ideológica. O PT foi melhor que o PSDB justamente naquilo que mais criticava, a política de mercado. Meu voto vai para os petistas mesmo assim porque me parecem mais preocupados com o âmbito social, e acho que o PV ainda não é partido minimamente autônomo para ir pra porrada, haja vista suas alianças absurdas... haja vista o Gabeira, em especial.

Mas o PV, ainda que não tenha um capital político consolidado, conseguiu voto a rodo no primeiro turno. Um voto filho de jacaré com cobra, que reúne ativistas libertários e religiosos dos mais conservadores. E, ao contrário do que idealizam meus sofisticados amigos marineiros, é evidente que o segundo grupo é o que pesou na votação recente. Quanto pesou? Só um censo pra dizer, até as pesquisas de intenção de voto vão precisar se reformular depois desta eleição.

Seja como for, os dois candidatos, por mais vampirescos que se aparentem, apostam que conquistar os votos dos religiosos conservadores e tradicionalistas (os religiosos mais modernos estão sendo igualmente ignorados) será definitivo no sufrágio vindouro.

Quando o debate ganha importância na eleição, os militantes se destacam. Daí surge a relevâcia do organizador de campanha, que deve ser escolhido tão casutelosamente quanto o candidato a vice, por exemplo. É ele que vai responder pelo partido aos boatos de campanha, que inclusive angariaram um bom bocado dos votos que compuseram a fração verde da votação.

Pensando nisso, o PT escolheu o Ciro Gomes, experiente pólítico para tal cargo. O PSDB delegou a função à ex-petista Soninha Francine. São figuras que não possuem ligação direta com os partidos que disputam a eleição, mas que tem grande representatividade política.

O PT errou feio nessa. A campanha petista na internet está fragmentada, apesar de ter grandes figuras apoiando sua candidata, e que poderiam fazer um grande trabalho. Escoheram alguém que criticou muito a sua candidata por rancor à chapa. Ele deve ser bom de palanque, mas a unidade da campanha está fazendo falta ao partido, e ele não tem grande penetração no público mais vulnerável às campahas de SPAM, o qual , incusive, vai pesar.

Os tucanos, por sua vez, escolheram uma ex-jornalista brilhante nessa área. Sabe falar com o público jovem desde os tempos de Debate MTV, e não se engane, o programa realmente era bom quando ela apresentava. Esse é o público que alimenta a militância. E, apesar do esforço recente pra me desapontar, ainda tenho muita admiração por ela. Alguém que defende a legalização do direito ao aborto e do uso de maconha da forma honesta que ela fez merece um Nobel. Não é exageiro.

O post de retorno é um apelo. Um apelo inútil, eu sei.
Mas eu gostaria muito de ver essa mulher defender suas visões absurdamente avançadas, absurdamente progressistas, em trincheiras que pretendam realizar suas convicções um dia. Não agora, que a campanha impede imaginar até mesmo o progresso do debate. Sugerir avanços divide a população, e campanha é tempo de unir o eleitorado, mesmo que através do discurso retrógrado. Não dá pra jogar a eleição um plebiscito sobre essas questões. Seria um erro estratégico infantil, melhor deixar pra depois ... é um preço que pode ser caro, mas que não pode ser evitado.

Numa eventual vitória tucana, as idéias de Soninha seriam evidentemente abortadas. No PT, postergadas. Evidentemente não é o ideal, mas é a opinião da maioria, temos que aceitar a democrática derrota que o pensamento libertário sofreu, mas buscar espaço para reverter o placar. O PT não é um PSOL em termos de respeito às liberdades civis, mas é muito mais flexível que o PSDB, cuja base aliada conta com DEM, Veja (cujo esporte predileto, depois de tentar convencer o povo de que o PT é um braço das FARC, é entrar em contradição) e tanta gente reacionária.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

CQCim não é a resposta!

A COLUNA DO EDITOR-CHEFE
Prefácio de Oliveira

Quando vejo estes humoristas protegidos pelos seus óculos escuros reclamando da violência de políticos e das rígidas leis eleitorais, lembro-me de como eram realmente difíceis minhas atuações nesta cômica verve do jornalismo político.

Há muito tempo, quando aquele carequinha ainda tinha cabelo, eu já não me contentava com um “Porque sim”.

Logo em minha estréia no humor, fui me encontrar com Jânio Quadros para entregar-lhe um shampoo anti-caspa e uma mostra da bebida-sólida para saber se ele come-la-ia. Pena que o presidente alegou motivo de forças superiores para não me conceder-me entrevista-me.

Tive então que partir para um caminho alternativo. Infiltrei-me-lhe na conderação do guerrilheiro Che Guevara fingido-me-lhe de vendedor de camisa de Che. Eis que Jânio veio indagar-me se eu vendia Cuba Livre. Estendi meu gravador e pedi para que ele explicasse a proibição do biquíni na praia, a proibição da Briga de Galo e o que achava da última escalação de Aimoré Moreira.

Mas isso tudo foi moleza perto do meu trabalho como repórter-humorístico de política durante a Ditadura. Eu e meu amigo Stanislaw Ponte Preta 2 x 0 Guarani resolvemos partir para o Humorismo Verdade.

Fui a uma unidade do DOPS para perguntar ao Delegado Fleury se a situação estava mais suja que pau de galinheiro. Parece que Fleury entendeu “pau-de-arara” e me fez passar várias horas de cabeça para baixo trocando uma idéia com Fernando Gabeira e Mário Covas.

Com o fim do Regime Militar, e do meu regime de pão e água na cadeia, achei por bem encerrar minha carreira humorística com uma entrevista exclusiva com o Presidente João Figueiredo, que me garantiu que concederia entrevista nem que fosse na porrada.

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Prefácio de Oliveira é jornalista e entrou para o humor quando Plínio de Arruda Sampaio entrou para a política. Quando pequeno sentou no colo do titio Barão de Itararé e tomou gosto pela coisa... estou falando do humor!

sábado, 26 de junho de 2010

Chutando de onde der

No último post chutei o candidato a vice de Serra. Análise séria sobre o cenário político , aspas e mais aspas de candidatos, notícias e pesquisas, e resumo minha opinião a um chute? Não é assim.
É que o PSDB também está chutando nomes.
O anúncio de Álvaro Dias não foi definitivo. Nem oficial, Nem mesmo feito pelo partido que preside a chapa. Um tweet de Roberto Jeferson, do PTB, é que espalhou a notícia.

Se a reação for boa, fecha esse mesmo, o DEM acaba tendo que engolir. A repercussão não foi uma maravilha, parece que não vai virar. Dias mesmo já admitiu ceder a vaga, apesar de feliz com a indicação. Se o DEM não bancar o senador do paraná, não demora muito, deve desistir, chuta-se outro nome, dessa vez o Jungman do PPS que twita, ou manda e-mail para redações, pra ver no que dá. Até o DEM se zangar e resolver bancar o seu nome de vez. Agripino Maia e Kátia Abreu são os dois nomes prováveis.

No segundo turno, o PV sempre fechou com o PSDB, mas vai pegar MUITO MAL se apoiar a Kátia, líder da bancada ruralista. Com o Agripino, já não daria tanta bandeira, preserva-se o apoio dos marinados.

Quando chegar a vez do DEM, não vai ser tweet, e-mail pra redações, vai ser coletiva de imprensa e coquetel. Possivelmente festa. Vai fazer muito barulho. Não deixará de ser um chute, só que arriscado, como cruzar para o Ronaldo no final do jogo: pode ser que dê certo, mas já não tem dado bons resultados ultimamente. Mesmo assim, não se pode menosprezá-lo.

Deve acontecer pouco depois do final da Copa. Até lá, chute de longe, e carrinho pra não deixar o adversário correr com a bola.

Bicão

É , parece que furei o chute para indicar o vice do PSDB. Parece, ainda seria tempo de correr atrás, já que o Bob Jeff disse Álvaro Dias seria o indicado a vice de Serra. Não vou: Aécio não tá muito a fim de ser vice, Dorneles perdeu sua chance à tôa, e os tucanos não estão muito dispostos a colocar alguém do DEM na chapa, queimaria muito o filme, mas vou insistir no palpite.Olha só:

O DEM , ex PFL, era o único partido que fazia frente ao PMDB, com cerca de mil prefeituras na década de 90. O chapão debutante PSDB/DEM cresceu muito nessa década, mas nos últimos anos vem sofrendo o governo petista: com a morte de ACM, um de seus principais líderes, a perda de quase quinhentas prefeituras nas última eleições e mais recentemente o escândalo do Distrito Federal fragilizaram significativamente o partido.

O DEM não pode permitir uma chapa tucana puro sangue se não quiser virar um PPS ou PTB da vida. O Álvaro, que deve estar em êxtase com a idéia, já refugou, no entanto: não se oporia ao partido de Kátia abreu e Agripino Maia, não tem escolha: o PSDB não pode virar o cenário atual sozinho e o DEM, mesmo fragilizado, é um aliado muito mais forte que todos os outros, juntos.

E ele não deve ser mesmo vice de Serra. Sejamos realistas: o DEM, se não aceitar o senador tucano num inédito surto de bom-senso, vai querer indicar um nome seu. PPS e PDT podem bater o pé à vontade, precisam estar numa chapa forte e não têm força pra discordar, tão pouco para largar a chapa.

O Agripino Maia é o nome que julgo mais provável para novo Marco Maciel. Mas vai saber, né?

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Desconfiômetro

Matéria do Valor econômico de ontem:
A confiança dos brasileiros nos políticos segue em baixa. Uma pesquisa realizada pela GfK revelou que apenas 11% da população afirmou que confia na categoria. Em 2009, esse índice era de 16%.
O resultado no país está abaixo da média mundial, que passou de 18% no ano passado para 14% em 2010. A Índia foi o país onde o nível de confiança da população nos políticos alcançou o maior percentual (29%). Em 2009, esse patamar era de apenas 7%
Na moral, acho a minha confiança nessa pesquisa anda meio em baixa também... que houve na Índia que justificasse tamanha variação? Nem a variação no Brasil é fácil de se explicar. Alguém errou nas continhas, deveriam ter chamado a Gisele !

alhos com bugalhos, Matéria do Times de ontem também, sobre músicos que cancelaram seus shows em Israel :

Like many here, Mr. Weiss argued that music and politics should not mix.(...)If the Pixies had something to say to Israel’s leaders,(...) they could have come and said it here.

(tradução livre, desimpedida e mau-caráter)

Como muitos aqui, Mr Weiss argumentou que música e política não deveriam se misturar.(...) Se os Pixies tivessem algo para dizer aos líderes de Israel,(...) aqueles covardes deveriam ter vindo e dito o que quisessem aqui.

Um colunista, Hanoch Daum ainda ilustra bem como o país está aberto aos visitantes:
“Life was pleasant enough without the Pixies, and it will continue to be so,” (...) “You don’t want to come? As you wish. Don’t come.”
"A vida ia bem sem os Pixies, e vai continuar assim"(...)"Não querem vir? Como quiserem, estrelinhas de segunda, Não venham."
Talvez fosse melhor não ir mesmo, Noan Chomsky que o diga!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sacrifício das Ideologias Parte Dois

No texto que cancelou o post sobre o vice do PV (coisa que o Musta faria melhor que eu, inclusive), Matt Bai critica a política dos EUA e ressalta que nos idos de 60 o posicionamento político era mais claro: havia uma guerra colonialista no Vietnã, segregação racial, limitações dos direitos civis tão radicais que você por essência é pró ou contra. Hoje, a guerra no oriente médio busca, em tese, combater grupos terroristas, não um simples confronto de nações; há um debate interessante sobre o direito ao aborto - salvo, evidentemente, as estúpidas certezas que possuem os radicais de ambos os lados. Posicionar-se não é mais tão claro.

Tente analisar as questões possíveis e verá que a incoerência dos partidos não é tão absurda: Ditames liberais e estatais vêm um resolvendo os problemas do outro desde o Iluminismo, as relações internacionais não são mais uma decisão simples entre apoiar EUA ou URSS: há o ultra liberalismo das transnacionais apoiadas na falta de opção dos países subdesenvolvidos, liberalismo Norte-Americano, o liberalismo comedido do Reino Unido, o protecionismo meio livre da União Européia, o Socialismo de mercado Chinês, os controladores regimes do Oriente Médio, o Socialismo do século XXI andino, o Casa-da-Mãe-Joanismo do Mercosul e Sabe-Deus-Mais-Que-Outras-Possibilidades.

Trazendo a visão pra terra tupiniquim, fica evidente que não dá mais pra sustentar as bandeiras do começo do século passado, a não ser que você ainda ache uma boa idéia o plantation escravagista do DEM, no industrialismo tóxico do PP ou que ache que livros como a Bíblia do PSDC ou n'O Capital do PSOL ou PSTU sejam integralmente atemporais, sem qualquer relação com o tempo em que foram concebidos.

O maniqueísmo PT x PSDB mostra que ainda estamos na década de 60, entre militares e militantes. Nem mesmo esses partidos conseguem, nem pretendem, sustentar esse debate retrógrado que, ainda que inconcluso, não pode ser tomado como definitivo para a leitura do cenário político atual.

A falta de definição do PV é um sinal de despreparo , mas também um primeiro passo no sentido de encontrar alternativas políticas para os novos tempos. O problema é que, feito sem precauções, pode trazer mais problemas que soluções.

domingo, 6 de junho de 2010

Sacrifício das Ideologias Parte Um

Um post sobre o vice do PV, que estou devendo, estava praticamente pronto, mas, como muita gente gosta do PV, vou postergá-lo. Um outro, sobre incoerência partidária, também estava engatilhado, e esse texto sobre debates retrógrados foi cabal para eu decidir postá-lo primeiro. Como os dois inspiram muita ladainha, divido o post em duas partes:

Até então, estudando os candidatos, chamava-me a atenção a falta de coerência ideológica dos partidos. PT, PSDB e PV tem cores estranhas nas bandeiras que defendem.

O PT, tradicional crítico do neoliberalismo e da corrupção tucanos, não tinha um paradigma econômico definido. Despreparado, tomou pra si o sistema vigente, com êxito de dar inveja aos antecessores. Tanto na economia pública como na privada, se é que fui claro...
O PSDB se revolta com a carga tributária, avessa ao projeto liberal que lhe rendera alguns frutos quando governava, e se esquece (só às vezes) que o projeto social democrata prevê um estado forte e atuante na economia, consequentemente caro.

O curioso caso do PV brasileiro, onde os ambientalistas se alinham à tímida "centro-direita", contrariando a regra global, é fruto de militância de uma classe média de melhor escolaridade que se opõe ao capitalismo selvagem da bancada ruralista (liderada pelo DEM) e vê com tortos olhos políticas assistencialistas do governo federal. Em tese o posicionamento é legítimo, mas na prática, as coisas são um tanto mais complexas: para conseguir expressão, o PV se aliou a chapa liderada pelo PSDB, que inclui o DEM

O PPS e o PCdoB tem feito movimentações políticas tão coerentes quanto um jogador de futebol palmeirense que vai jogar no Corinthians por que lá teria maior chance de aparecer. Quanto ao multifacetário PMDB, falar sobre coerência ideológica significaria desfazer o partido. Os únicos que possuem essa coerência são DEM, PP no córner direito, contra PSOL e PSTU no córner esquerdo, se você acha coerente definições políticas com mais de um século de aplicações infrutíferas.

Essa bagunça de princípios mostram que os partidos se importam muito mais com o poder do que o viés político que representam. No próximo post, no entanto, pretendo mostrar que a infidelidade ideológica dos partidos é também um sinal dos tempos, um sinal da obsolescência dos dogmas e a necessidade de se buscar alternativas. Até lá!