segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Fraca cobertura sobre os desastres faz com que se esqueçam da essência do problema e de quem é a responsabilidade

Os desastres ocasionados pelos desmoronamentos na região Serrana do Rio de Janeiro vem pautando a mídia com imagens chocantes e histórias tristes nos últimos dias. É um prato cheio aos que buscam atingir altos níveis de audiência e buscam, para isso, atingir os telespectadores, leitores e internautas com sensibilidade minimamente aguçada diante da tragédia.

Mais uma vez, a grande mídia se utiliza de uma programação viciada e cega diante dos verdadeiros culpados por desastres naturais. Será o acaso e a má sorte que fizeram com que a British Petroleum derramasse os milhares e milhares de barris de petróleo no Golfo do México? São Pedro está naqueles dias e, indignado com toda perversão humana, resolveu mandar algumas doses a mais de água aqui para baixo? Parece que os grandes veículos acreditam que sim.

A rede Record, por exemplo, faz a cobertura dos desastres sob a ótica dos desesperados, conta uma história mais triste e mais angustiante que a outra e aproveita para fazer o merchan da caridade realizada pela Igreja que a sustenta. A rede Globo elabora noticiários cheios de “exclusivas”, imagens de helicópteros, narra a ajuda proveniente de várias partes do país e até mesmo de pessoas que acabaram de perder seus parentes.

A visão superficial da mídia não só desrespeita o que é realmente de interesse público, como possui, mais esta vez, responsabilidades sérias por se perpetuar o descaso e a ignorância da população quanto aos deveres dos órgãos do Estado. Está na hora dos “grandes” veículos se lembrarem do que se aprende no primeiro ano da faculdade de comunicação social: a diferença clara e crucial entre interesse público e interesso do público.

É interesse público fornecer acesso a uma informação digna e de qualidade. É interesse público fazer com que a população saiba que a responsabilidade por tais tragédias pré-anunciadas é de um Estado omisso frente às más condições de moradia e subsistência de seus eleitores.
Não é nada honesto, aliás, utilizar-se do poder imagético atrativo da destruição e do caos para se fazer acreditar que “a natureza tem seus momentos de vingança”. Como foi veiculado pelo portal UOL ao utilizar a declaração do pároco da igreja matriz de Santa Tereza, o monsenhor Antônio Carlos Mota do Carmo.

Além do Estado, a mídia se omite e quem paga o pato mais uma vez é a população pobre e periférica que tem que pagar impostos do país com taxas tributárias maiores que a de países como o Japão, os Estados Unidos, a Suíça e o Canadá.

Um comentário:

Thiago Teixeira disse...

isso pranão falar na coberturado sbt, né?