terça-feira, 5 de agosto de 2008

Militares x Militantes

Esses dias algumas seqüelas da Ditadura Militar brasileira voltaram às paginas dos jornais. O Ministro da Justiça, Tarso Genro, defendeu que os torturadores fardados de outrora sejam investigados e condenados por seus crimes. Nada mais justo, não acham? Os militares reagiram alegando que caso sejam investigados torturas Estatais, deveria-se também investigar e punir os criminosos da esquerda, os militantes.

Aí o que se viu na mídia foi inesperado: vários textos foram escritos concordando com os militares, tentando reforçar que os militantes também tinha nome sujo no cartório e que a alta cúpula do Governo Lula e seus antigos aliados era formado por esses vilões, como Dilma Roussef, José Genoíno, José Dirceu. cartas de leitores publicadas refletiam esse mesmo pensamento

Talvez não seja uma postura tão imprevisível da mídia, afinal muitos jornais impressos ou televisivos tratam aquele período como "Regime", um eufemismo para um governo autoritário. Por outro lado, tem toda aquela história de resistência, em parte verdadeira, dos veículos jornalísticos contra a censura, coisa e tal.

O problema é o seguinte: com toda essa discussão, deixam os militares para segundo plano. Não se deve esquecer todos os tipos de atrocidades que eles cometeram "em defesa da ordem e da democrácia", como eles gostavam de mentir.

Há histórias de assassinatos brutais como amarrar uma pessoa a um gipe e acelerar, estupros, torturas de familiares na frente dos presos, pressão psicológica, uso de choques elétricos, atentados a bomba disfarçados, multilações genitais, perseguições.

Com tudo isso, não tem como aceitar o perdão vergonhoso da Anistia aos torturadores(e alegam que trata-se de uma medida feita para "deixar para trás as marcas desse período").
Sobre os militantes, sim, devem ser processados também. Nem a luta pela democracia vale a morte de um inocente. Essa filosofia de tornar matadores em heróis não deveria colar mais.

Mas por favor, não passem a mão na cabeça dos monstros do passado.

Um comentário:

thiago meia disse...

É que aqui, Russo,Aprender ocm os erros é uma coisa incogitável.
Daí, não há nem perdão , nem quem deixe de errar.
Sabe o que são sequelas da anistia, da impunidade e da alienação que funcionou tão bem com a nossa população?
Essa estúpida crença de que ROTA, BOPE, exquadrão da morte, Maluf, esse monte de mentiras e maquiavelismos tão largamente utilizados resolveriam algum problema de violência ou de qualquer outra ordem.
Eu tenho vergonha da proteção que recebem os agentes do Estado, mesmo quando já estão fora da burocracia do Estado, mesmo nunca tendo o defendido.