sábado, 7 de novembro de 2009

O professor e o aluno

A pergunta:

Prezado Aluno de Jornalismo. Prezada Aluna.      V. estudou ou vai estudar, gratuitamente, na UNESP nestes quatro anos. Mas não existe almoço gratis: Quem paga seus estudos é o contribuinte. É obrigação ética da Universidade prestar contas do que está fazendo com os recursos da sociedade.     V. acha justo boicotar o ENADE neste domingo para negar esse direito da sociedade?     Somos jornalistas para nos colocarmos contra os interesses sociais, através da omissão, ou para defender os interesses coletivos?      Não embarque na maniPulação político- ideológica. Seja você mesmo, ouça a sua consciência, pense no seu país, pense grande, atenda ao pedido da sua Universidade.     Precisamos da sua avaliação honesta, sincera, ética.    Não negue sua particicpação cidadã, neste domingo. Responda o ENADE.      Obrigado.      Prof. Dr. Pedro Celso Campos     Coordenador do Curso de Jornalismo

A resposta: 

Prezado Professor de Jornalismo.

Posso estar assinando meu óbito acadêmico mas, acreditando na boa intenção do professor e supondo uma afinidade que o professor possa ter com as idéias democráticas de Voltaire , respondo ao e-mail:

Bem sei que não existe almoço grátis. Nem curso superior . Quem os paga é o contribuinte. Acontece que os alunos do curso superior público também são contribuintes,o lobby imobiliário de Bauru que o diga. Como o senhor afirma, não existe mesmo almoço grátis, nós o pagamos.

Ainda na condição de contribuinte, afirmo não saber muito bem o que está se fazendo com os recursos públicos, não só na universidade como em outros âmbitos. Seguramente, contudo, sei que a UNESP dá muito maior retorno à sociedade com seus projetos de extensão que com os resultados do ENADE, que a comparará com universidades onde projetos com esta finalidade são impensáveis.
Não acho justo o boicote ao ENADE. Justo seria que a UNESP não se prestasse a esse tipo de ranqueamento barato que só serve para dar suposta credibilidade para a publicidade de famosas fábricas de diploma com qualidade questionável.

O professor bem sabe, muito melhor que eu, que a palavra é o signo ideológico por excelência. Tanto o Boicote proposto pelos centros acadêmicos, quanto o apoio à prova sugerido pelo professor é uma manifestação ideológica. Mas não os acuse de manipulação: a decisão de boicotar aprova foi tomada em assembléia, votos contados nos braços estendidos de cada aluno. Como se decidiu que a UNESP deveria compactuar com o ENADE? Foi de forma mais democrática que as assembléias do centro acadêmico?

O ENADE, que, por exemplo mais gritante, avalia escolas de Psicologia que privilegiam mediações teóricas distintas, muitas vezes opostas, com a mesma prova, e nem mesmo considera disparidades sociais entre as universidades, pode ser considerado ético? Como seria honesto, sincero e ético, de acordo com a recomendação do professor, aceitar tal prova?

Quando houver uma avaliação que vise diminuir as diferenças ao invés de evidenciar as discrepâncias na qualidade de ensino entre as universidades (pratica vantajosa apenas para quem acredita na proposta liberal de educação, eliminando as menos "competentes"), tenho certeza que, não só eu , como qualquer centro acadêmico que se preocupe com a qualidade do ensino que sua universidade oferece irá apoiá-la.

Professor, admiro sua competência e sua ética, as quais pude observar quando seu aluno. É confiando nestas qualidades que acredito possuir a liberdade de responder ao seu e-mail e ainda esperar que tenham divulgação similar ambas as opiniões. Agradeço de antemão o espaço para a manifestação da visão contrária.

Atenciosamente

Thiago Teixeira
Aluno do Curso de Jornalismo e Contribuinte

Um comentário:

video patch adams disse...

Impossível melhor resposta, não precisa dizer absolutamente mais nada.