terça-feira, 10 de maio de 2011
Educação do cabresto e a pedagogia do cacete
No entanto, foi necessária uma chacina infanticida para que o ambiente hostil nas escolas fosse discutido com mais atenção nos grandes veículos de comunicação. E, contrariando ainda mais os etólogos, filósofos e outros pensadores, muitos especialistas ouvidos por esses grandes veículos são tão reativos quanto os demais animais, propondo alternativas imediatistas para um problema que ultrapassa as medidas disciplinares e de segurança que discutem. Detector de metais nas portarias? Seguranças armados? Alunos trancados nas escolas? Qual é o próximo lampejo de criatividade desses especialistas: coletes a prova de balas no uniforme escolar? Policiais com fuzis rondando os corredores? A lógica reativa desses especialistas transforma ainda mais a escola num ambiente hostil, sepultando toda e qualquer tentativa construtiva de fazer a educação ter sentido, e sentido amplo.
Aliás, qual o sentido da educação? Ensinar de forma “bancária”, como alertou Paulo Freire e como ainda se pratica muitas vezes? Adestrando almas de assalariados, acabrestados e acríticos a um destino pronto, em que nada do que se aprende na escola faz sentido? Há uma lógica desumana nas soluções imediatistas de determinados especialistas e uma proximidade dessas saídas com a forma de educação excessivamente disciplinar, quase penal, que normatiza um ensinar como “transferência de conhecimento”. E vou além: qual o sentido de ser especialista? Ter pleno domínio de um assunto específico? Acredito que alguns de nossos especialistas são vítimas do modelo mesmo que propõem: um modelo estreito, disciplinar, reto, algo militar. Também eles carregam um cabresto em suas especialidades, afinal a educação já não se mostra só comprometida nas escolas, mas conhece uma falta de sentido também nas formações superiores, como se tem notado.
Muitos especialistas ouvidos pela grande mídia após o massacre de Realengo não procuraram compreender o sentido da hostilidade escolar, que não é recente, numa cadeia de pensamentos que se espera dos seres cognitivamente superiores. Eles reagiram de pronto, com propostas pontuais que constituem uma tecnologia disciplinar, uma lógica proibitiva, penal. Há muita coisa sendo dita nos episódios de violência nas escolas, mas pouco é escutado por esses especialistas e pelas autoridades responsáveis, pois suas lógicas educacionais são incompatíveis com uma educação de fato, que tenha sentido para quem participa diretamente desse processo. Uma educação compreensiva, não punitiva. Uma pedagogia emancipadora, não restritiva. Uma escola que respeite os alunos em sua diversidade e no caminho ainda a trilhar, que faça a educação ter sentido. Tudo isso permanece distante da realidade da grande maioria das instituições de ensino pelo país e mais distante ainda dos discursos de certos especialistas que endossam uma pedagogia do cacete e uma educação forçada, sem sentido, inútil.
É urgente compreender o crescente de hostilidade e violência nas escolas, em cadeias complexas de pensamentos que nos permitam encontrar os núcleos desses males e ir além de medidas pontuais e reativas. Há muito material e pessoas preparadas para isso. Felizmente há especialistas com uma visão mais crítica da educação, mas esses ainda não estão no lugar certo. De um modo geral ainda sofremos com administradores públicos que governam como se gerissem corporações. Prefeitos e governadores que tratam o orçamento para a educação como custo, não como investimento.
A recente decisão do STF sobre a constitucionalidade do piso salarial de professores é um passo, mas ainda há léguas a caminhar num percurso que passa pela manutenção da pedagogicidade do espaço educacional, pelo enfrentamento de um legado político de descaso, pela promoção de uma cultura da educação que ainda é escassa no Brasil e por uma série de outros fatores que nutram de sentido a educação.
E que a forma abrangente e crítica de compreensão, necessária a uma intervenção mais fecunda na educação brasileira, reflita na prática do ensinar, negligenciada também por um ineficiente sistema disciplinar, normativo e comercial de tempos passados. Afinal, ou mudamos o modo como pensamos a educação ou mudamos o tamanho da distancia que nos separa dos demais animais.
Yuri Ongaro (10/05/11)
sexta-feira, 22 de abril de 2011
abuso do repórter
Maurício Stycer se rebelou contra a categoria. A revolta se deu ao observar os fotógrafos e repórteres que cobriram a tragédia do Realengo e a volta às aulas do colégio onde se deu a série de homicídios que flodou redes sociais e noticiários.
Os profissionais que vão garimpar a notícia são passíveis de muitas críticas, mas tentar humanizar a profissão através deles é tão infantil quanto exigir o desarmamento para evitar homicídios em massa: até são causas nobres e válidas, mas o problema é uma cárie bem mais profunda no nosso sorriso amarelo.
É fácil chamar os repórteres e fotógrafos de abutres. Mas, se não chegarem com uma manchete e boas imagens dalí, os editores os enforcam. Os editores são os abutres.
Fácil chamar os editores de abutres. Se os concorrentes os furarem, os donos das empresas de comunicação os enforcam. Eles são os Abutres.
Se o publisher da emissora X não quiser cobrir o caso, o publisher Y vai cobrir e ficar com os anunciantes. Eles são os Abutres.
Os anunciantes ficam com a emissora que cobre de forma mais abusiva este tipo de caso, por que há uma demanda popular. A emissora que atender melhor essa demanda terá mais espectadores, o que satisfaz os anunciantes, que farão comerciais sobre desenvolvimento sustentável e paz no mundo.
E aí? Vamos chamar os espectadores de abutres? São a ponta frágil dessa conta, mas não são inocentes. Há demandas populares que são questionáveis, mas quem pode dizer-se acima do povo para não atendê-las ou mesmo censurar quem as atenda?
O jornalismo deve atender essas demandas sem transformar estes casos em malhação de judas, intensificando o coro da massa, legítimo por querer justiça quanto ao descaso com que o Estado lhe atende, mas que considero equivocado na forma como busca essa justiça.
Estimular a crítica à massa é tarefa árdua, e os manuais de redação, em busca da suposta objetividade jornalística, praticamente suprime essa possibilidade. Tudo que resta é a alimentação do desejo de consumir tragédias e carnificina pelas mais diversas mídias.
E o debate, ainda que atenda esse desejo, não o faz de forma automática, fast-fúdica. O problema vai ser superar quem venda a informação sem esse debate. Mas aí, o espectador é quem deverá escolher entre alimentar seu ódio irracional às atrocidades igualmente irracionais que nos acometem, ou estimular a crítica às autoridades competentes cuja função é justamente trabalhar para que isso não aconteça.
Se escolherem a primeira opção, não reclamem da falta de humanidade dos repórteres e fotógrafos: seguramente, eles não gostariam de estar ali.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Por quê Sim ao Tiririca na Câmara
O Haja vai dar uma de O biscoito Fino e a Massa. Não por atingir a qualidade das postagens do mestre Idelber Avelar, mas por abrir espaço para vozes ilustres de fora do blog. O Psicólogo Yuri Ongaro, grande amigo meu, traz alguns caracteres muito interessantes sobre crítica de mídia e sociedade, e a xenófoba mania destas de perseguir quem não se enquadra no padrão estético da Avenida Paulista.A esmagadora maioria dos meus amigos recebeu com surpresa minha manifestação de agrado à eleição do palhaço Tiririca para a Câmara Federal nas eleições de 2010. Aposto que a mesma surpresa atinja quem se conforma com o título deste texto sem se dar ao exausto trabalho da leitura, tão desprestigiada em nossos tempos. Inicialmente, para já facilitar os próximos passos, não votei no cidadão Francisco Everardo, muito menos no famigerado Tiririca, no entanto vejo com bons olhos sua presença na casa, assim como seus “escândalos” já destacados pela grandeRecomendação de Thiago Teixeira
mídia. Afirmo, com toda a convicção, que se trata daquilo que muitos chamam de “um mal necessário”.
Levanto já indagações: os mais de 1 milhão de eleitores votaram em alguém que conhecem, não era essa uma das críticas que a mídia sempre colocou em pauta para justificar, sob que obscuros pretextos, que o brasileiro vota mal? E o que há por trás do recorde do Tiririca, um protesto consciente ou um vivo sinal de que a política anda tão distante das necessidades do povo, que esse já lava suas mãos? E tal tipo de descompostura do eleitorado é patrocinado pela mídia, afinal soubemos muito mais do Tiririca do que de qualquer outro parlamentar eleito. Será que porque ele é um palhaço e os demais são engenheiros, advogados, militares? A atenção concentrada na atividade legislativa do deputado Francisco Everardo é sem precedentes na história da cobertura política nacional: “Tiririca votou errado”, “Palhaço Tiririca gasta dinheiro público em resort”, “Tiririca contrata humoristas como secretários parlamentares” e por aí vai, afinal a palavra “Tiririca” rende assuntos e acessos. As notícias arrebatam um sem número de cliques porque tratam de um palhaço, e a classe média pseudo-politizada encontra o espaço pra desfraldar seu extenso e vazio discurso de “absurdo!”, “infâmia!”, “puta sacanagem!” et similia.
Ora, a que se prestam essas notícias dos portais de internet a apontar seus suspeitos dedos ao cidadão Francisco Everardo? A uma elucidação política do povo sobre o que se passa nos legislativos pela república? Ou se presta à troça do deputado Tiririca, afinal ele é um palhaço? E aqui há outro ponto interessante: Tiririca tem sido tratado somente como um palhaço por pessoas que se manifestam contrárias ao preconceito, seja esse qual for, não é curioso? Mas, um palhaço? Não seria melhor mais um político de carreira, como um Maluf menos badalado, que gastará nos mesmos resorts, contratará os mesmos funcionários suspeitos, mas que não tenha os holofotes do picadeiro midiático que tem Francisco Everardo? A casa possui 513 deputados, não seria justo e politicamente prudente saber o que fazem ou não fazem os demais 512 parlamentares com seus PLs, seus discursos e com o dinheiro público? Talvez não, afinal qual é a graça dos empresários, dos professores, dos engenheiros ou dos economistas eleitos? Nenhum deles é palhaço. Em um país em que tanto se discute e se combate o preconceito, muitos desses são velados ou autorizados pela maioria. É saudável refletir sobre o menosprezo ao outro que muitos de nós carregamos em nossas sombras.
Ainda nas águas doentias do preconceito, recentemente se tornou público o grave caso do deputado Jair Bolsonaro. O que muitos não sabem, é que o militar acumula legislaturas desde 1991. Em outros termos: esse cidadão, que deixou manifestas suas intolerâncias política, sexual e racial em rede nacional, nos governa há 20 anos. Contudo, foi preciso que um programa de alta audiência facilitasse o escape de todo esse ranço discriminatório para que soubéssemos que tal militar, filho da “página infeliz da nossa história”, elabora leis e ganha pesado soldo por isso. O que soubemos do parlamentar Bolsonaro nas últimas duas décadas? Incomodou-nos? Não,
afinal era privado o que é de interesse público e ele não é um palhaço, não como Tiririca. E os demais 511 deputados, conhecemos? Soubemos de dois, já é um avanço.
Havemos de acompanhar a legislatura de Francisco Everardo pelas manchetes enviesadas da grande mídia, em clara demonstração de que os principais veículos de comunicação são conformados ou tendenciosos. Conformados porque raras vezes a atividade parlamentar é alvo de análises de grandes jornais, e muitos devem ter seus rabos presos com um ou outro empresário, advogado, os supracitados profissionais eleitos, enfim. Tendenciosos porque muitos levantam suas empoeiradas bandeiras ideológicas em nome da guerra política, de maneira sutil como cabe ao jornalismo “imparcial”, mantendo os cidadãos em segundo plano. “Tiririca ainda não apresentou nenhum projeto de lei”, “O palhaço Tiririca ainda não discursou no plenário.”, quem apresentou, quem discursou? Quantos noticiaram que Tiririca gastou apenas R$ 42,03 de sua cota parlamentar no mês de março? Quantos tornaram público que, já em fevereiro, o deputado Francisco Everardo iniciou a recriação da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura Popular e criou um projeto de integração cultural com outro deputado tocantinense? São notícias que não alimentam o deboche pelo “deputado-palhaço”, não rendem público ao circo que se tornou a imprensa.
Por fim, quero justificar o porquê do “mal necessário” referido no primeiro parágrafo. Através dos motejos pouco informativos de grandes jornais acerca das “palhaçadas” do deputado Tiririca é que podemos ter um panorama do funcionamento da câmara dos deputados, que pode tranquilamente ser base de compreensão dos demais legislativos pelo país. As cifras gastas com resorts, as viagens de avião, as reformas de escritório e demais abusos financeiros são correntes nos parlamentos Brasil afora. Através dos holofotes no palhaço, vamos saber que muitos
deputados não propõem projetos de lei e outros se preocupam meramente com jogos político partidários em detrimento do interesse público, além daqueles que votam conforme a maioria, sem nem tomar conhecimento dos assuntos em pauta no congresso. E mesmo a falha no sistema eleitoral, tornada pública pela eleição de deputados de carona nos mais de um milhão de votos de Francisco Everardo, falha combatida pela “Lei Tiririca” na vindoura reforma política, é mais um sintoma (ou sinal?) de que há algo de podre na república do Brasil.
E a gente? Ah, a gente se preocupa..."ma non troppo", fala mal, xinga, menospreza, debocha do palhaço, enfrenta inflação, pega trânsito, paga imposto, assiste novela, continua no trânsito, é assaltado, faz compras e... e "la nave va", como diria aquele que enxergava dignidade na figura do palhaço.
Yuri Ongaro (4/4/11)
terça-feira, 5 de abril de 2011
Desânimo na faculdade... culpa dos cursinhos
Por que? Os cursinho pré-vestibular. Vou partir do meu exemplo: as aulas eram divertidas, interessantes sim, mas os professores sempre tocam no mesmo ponto: "O importante é passar numa faculdade pública". O motivo? "É bom para o currículo" diziam os mestres. Nas particulares reina o "pagou passou".
Dado esse discurso, as instituições USP, Unesp e Unicamp se tornavam aos poucos em grandes pesadelos - e metas - de todo estudante. Se a pergunta não cai nesses vestibulares (incluindo também as federais e estaduais do restante do Brasil) não tem importância. Mas se cai, tem que saber responder. Tem que passar.
Depois disso, os cursinho só precisam somar o número de aprovados e colocar no jornal: Cursinho X, 00 aprovados na faculdade y, no curso Z.
Quando o estudante alcança o seu objetivo (ou o objetivo do cursinho?) chega na faculdade e se depara com um ensino extramente crítico ao mercado - vou me limitar a falar dos cursos de humanas e comunicação. Até aí, nenhum problema. Aliás, melhor ainda. Mas em muitos casos a filosofia de ensino de alguns cursos de faculdade públicas praticamente ignora o mercado. Centra-se na pesquisa, nos projeto sociais, nas ONGs, no trabalho acadêmico. Pouco ou quase nada fala-se do mercado. Ou critica-se o dito cujo.
O estudante que chegou empolgado para entrar no mercado se depara com aulas que não falam do mercado. Em alguns casos, quando vai buscar emprego, percebe que o peso dado a instituições públicas não é maior que o dedicado às particulares.
Aí reside a culpa dos cursinhos. Ao invés de salientar as peculariedades do modus operandi do Estado (por meio das universidades estaduais e federais) e da iniciativa privada, centra-se em inflar a idéia de que o importante é passar numa USP ou Unesp e que as faculdades particulares são indústrias do ensino [olha só quem está falando].
Claro, Fuvest e Vunesp também tem culpa no cartório. Querem abraçar o mundo nas suas provas, mas abrem pouco espaço para esse tipo de reflexão.
Resultado? O estudante que passou no vestibular, se decepciona. Os professores universitários se decepcionam com alunos "alienados" que só pensam no mercado. Os empregadores se decepcionam com os recém-formados que pouco tiveram aulas práticas. Talvez porque ouvissem falar tão bem de universidades públicas e tivessem traduzido isso para "vão trabalhar melhor para mim".
A indústria do vestibular, alimentada pelo pensamento do mercado acaba vitimando [olha só!] o próprio mercado.
segunda-feira, 28 de março de 2011
Caetano, Lobão, e clichês
O motivo agora é o blog da irmã do tropicalista: Maria Bethânia, uma cantora de sucesso, solicitou o direito de arrecadar uma grana através da Lei Rouanet (Clichê).
O povo do Twitter criticou (Redundância). A crítica envolve desde quadrúprdes que acham que a verba de Cultura deveria ser investida em hospitais, a velhos críticos da forma com que a lei vem sendo aplicada, servindo de moletas para quem em tese poderia se virar...
Nesse miolo todo há gente muito sensata, gente menos sensata mas competente, gente tão pitaqueira quanto este blogueiro, gente estúpida e o Lobão.
O Lobão é um surfista de polêmicas profissional. Saindo do tubo do Restart, avistou uma onda muito maior quando o Minc divulgou que BethÂnia poderia arrecadar sua bolada de 1,3 milhõezinhos. Talvez ele não esperasse que o mar estivesse tão bom: Caê resolveu defender
sua irmã e os dois ganharam mais uma flor pra brincar de mal-me-quer-bem-me-quer.
Só que o Caetano, a despeito da sua idade, bate forte. Enfureceu o colunista preconceituoso e que no final de sua tréplica quer que façamos o que, se tão simples, poderia ter feito. O golpe de Caetano foi malicioso. Bateu em meio mundo, mas em especial no ego de Tognoli e do músico. Um diz que escreveu sua auto-biografia, e o ghost writter, concordando, afirma que fez toda a pesquisa documental que o "pós-ditadura teceu contra Lobão". O ego de Tognolli vai ser um grande empecílho para manterem essa versão.
Não que a crítica ao financiamento público de arte com grande potencial de consumo seja de todo incoerênte. É cruel que iniciativas precisem dividir talvez sua única forma possível de financiamento com estrelas da música popular.
Acontece que uma visão utilitarista, sistêmica, é insuficiente para mensurar a Arte. A Maria Bethânia e sua equipe (bem como Nando Reis, Maria Rita entre outros) precisam ter planilhas pra isso, esse é o ganha pão deles. Não justifica o excesso nos pedidos.
Por outro lado, quando pensamos que nossa população não tem a cultura de fomentar expressões artísticas, que achamos justo que alguém confinado por meses ante dezenas de câmeras receba uma recompensa equivalente as questionadas sem maior alarde, que artistas preocupados com sua estética física consigam divulgação midiática muito maior que aqueles preocupados com a estética de suas obra, bem, aí dá pra imaginar quão delicado é ser artísta no nosso convívio, e que talvez esses artistas merecessem ganhar tais somas pelo valor que agregam às nossas culturas e identidades, sem precisar de tirar dos menos propalados as migalhas que o MinC lhes permite disputar.
sábado, 26 de março de 2011
Vale outro post
Seja como for, Roger Agnelli sairá por ter desagradado acionistas seja por "insubordinação" (como vão dizer os críticos do governo) e por desespero para manter-se no cargo ( segundo o Bradesco).
Quem o está demitindo, seja da Bradespar ou do governo (via BNDES ou Banco do Brasil) o conhece bem, pois trabalharam juntos como membros do comitê Estratégico da Vale.
Pelo visto, a hashtag #ficaAgnelli terá a mesma utilidade que a #fichalimpa. A dica é tentar uma campanha #teamTito ou #teamJoseCarlos, dependendo da sua afinidade. A Vale está como a PUC: É privada, mas tem confusão com clientes, bedelho estatal, hábito de descontar nos funcionários e até pitaco da população... e, por baixo da discussão, a velha conversa.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Vale o debate?
Como é natural na rede do passarinho azul, gente que se afina com um partido ou outro entra no debate, mesmo sem entender muito de economia. Como é ainda mais comum, gente que quer divulgar links se aproveita da popularidade do tópico dificultando cada vez mais saber do que se trata.
Apesar do jeitão da Tag, o famigerado não é um bigbrother no paredão. Roger Agneli é o presidente da Empresa/cabo-eleitoral Vale do Rio Doce. Deu no Estadão que o Palocci teria pedido ao "Bradescoprev" pra ele sair. O Palocci nega, mas não seria um boato absurdo, uma vez que a intervenção já era prevista antes mesmo da eleição de Dilma. Brigar com o Palocci não é bom. Uma galera ficou meio revoltada com a possível intervenção e começou a reclamar.
A Vale é sede de uma série de debates que caem na disputa "Ação do Estado X Autonomia do Mercado". Apesar da segurança com que o pessoal resume sua opinião à 140 caracteres, o assunto é tão complexo que o Nobel de economia vai uma ano pro #teamState e outro pro #teamMarket.
A treta é a seguinte: O Estado te garante o salário mínimo, que sem ele, os empresários não te pagaríam nem essa merreca (ou você acha que pagariam?). Mas quanto mais alto ele for, mais caro será o custo de vida, já que as empresas repassam o preju pros preçõs de seus produtos. Esse resumo é como tentar colocar um cd inteiro do Pink Floyd num refrão do Ramones.
E sai no Brasil Econômico que, na real, querem a saída do Agnelli por causa da compra da produtora de cobre Paranapanema. Eu, modestamente, duvido que uma divergência sobre uma empresa tão pequena gerasse tanta polêmica.
No final das contas, a briga é pelo controle da empresa. O Estado está se portando como um acionista insatisfeito, bem ao gosto do mercado. Curiosamente, os liberais estão querendo impedí-lo.
sábado, 12 de março de 2011
#falalobao Que eu te esculacho
alguns fatos estruturais:
- educação falida nos estados do sudeste, que veem o restante do país como floresta amazônica;
- mídia viciada em estereotipos preconceituosos:
Se em jornais, brasileiros de fora do sudeste são interioranos pitorescos ou vítimas de violência;- tradicional preconceito regional do sudeste, que acredita ser " a engreagem principal do país" e que o resto da população sobrevive às suas custas;
Se em novelas, os brasileiros em questão são sempre ligados a profissões pouco valorizadas, e, se nos principáis papéis, se apaixonam por alguém rico e do sudeste;
Em ambos os casos, o sotaque é caricatural e absurdo;
- visão elitista predominante de que políticas assistencialistas sustentam vagabundos, disperdiçando dinheiro público (quando na verdade geram lucro e desenvolvimento);
- mídia (grande e mesmo independente) que se propõe nacional mas que geralmente subjulga regiões norte, nordeste e mesmo centro-oeste;
- preconceito histórico contra pobres e a associação indireta a imigrantes internos por conta dos sub-empregos que lhes foram ofertados e as condilções de moradia às quais foram submetidos;
fato circunstancial:
- Thomas, da banda de RockConfetti Restart, afirma não saber se há civilização em Manaus;
Quais desses seria alvo mais coerente para uma crítica que vise respeitar a identidade nacional e apontar para a resolução de um dilema delicado que é o preconceito regional interno no Brasil?
Se você é uma estrela geriátrica do rock cafona e que está desesperadamente precisando de Ibope de adolescentes coloridos pra garantir seu emprego na cada vez mais mamônica MTV, a resposta é fácil. Vamo bater no Restart.
Se você é um blogueiro no final do curso de jornalismo, é melhor ignorar todos os temas estruturais, e ainda o circunstâncial, e bater na estrela caduca do Rock, cujo som nunca te agradou, tão pouco suas opiniões em busca de polêmica gratuita. De repente você consegue uns acessos da molecada...
sábado, 5 de março de 2011
Libia, esquerda e direta
O maior problema da esquerda são os ditadores que dizem defendê-la e o segundo maior são os militantes que defendem esses tiranos. Como um esquerdista laico, quase um pagão, vou traduzir um depoimento que a Al Jazeera postou em sua brilhante cobertura de um massacre de civis que Muammar El (escolha a grafia) está comandando. A intenção é tentar flexibilizar um pouco as certezas de alguns fanáticos.
Ahmed, morador de Az Zawiyah fala para a Al Jazeera por telefone do meio da batalha. Gritando pra ser ouvido sobre o som do fogo da artilharia e de pequenas armas, ele reporta:
A cidade está sendo bombardeada por tanques, armas pesadas e morteiros. Os rebeldes estão se esforçando pra resistir, de forma basdtante primitiva. As forças invasoras são impiedosas e brutais. Há muitos feridos e muita gente assassinada nas ruas.
Não há piedade com os civis. Os tanques do regime atacam a todos indiscriminadamente e não temos como nos defender.
A situação atual é trágica. É muito séria. Nós esperávamos que o mundo interviesse, mas eles nos desapontaram. As balas vêm de todos os lados
Eles estão atirando nos cidadãos Líbios e nos nos convencemos que vamos morrer aqui. Lamento muito, estamos no meio de uma batalha e a artilharia é mito pesada, a ligação pode cair a qualquer momento
Nós fizemos prisioneiros, tirados de dois tanques, e estamos tratando com respeito. Mas eles estão atrando em nós, estão nos matando.
Onde estão as Nações Unidas, ou a Liga Árabe ou a comunidade internacional que tem falado sobre os nossos direitos e sobre nos proteger? Não sei se eles vão cumprir com a palavra deles.
Estou no meio da Praça dos Mártires e estamos conduzindo a batalha. Os tanques nos cercaram e estão atirando em todos os prédios, residenciais ou comerciais. Os tiros e a destruição é indiscriminada e os civisd estção se abrigando nos prédios ao redor da praça - mas eles ainda não desistiram.
Todas as partes da sociedade - todas elas - profissionais ou fazendeiros, estão juntas, ajudando-se na esperança de conseguir sobreviver.
Mas é muita violência, e é indiscriminada - e quanto ao número de mortos e feridos? eu não pude contar ainda. PRECISAMOS DO MUNDO AQUI, PRECISAMOS QUE INTERVENHAM - PALAVRAS NÃO BASTAM. NÃO É UMA QUESTÃO DE GÁS OU PETRÓLEO QUE PRECISAM PARA O PAÍS DE VOCÊS - SÃO VIDAS HUMANAS E SANGUE SENDO DERRAMADO - NESTE INSTANTE.
Ditadores são um câncer, independente de onde se situam no espctro político. Bóbbio já avisou, quando diferiu esquerda e direita, que os radicais não estão afastados nas pontas do raciocínio ideológico: extremas esquerda e direita são muito mais similares entre sí que seus pares moderados.
Independente do seu tom de cinza entre o preto e o branco, esteja atento pra não manchar-se de sangue inocente.