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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Benjamin Schianberg, um obscuro filósofo do amor




O professor e filósofo Benjamin Schianberg, autor do livro “O que vemos no mundo”, esteve no Brasil e fala com exclusividade ao “Haja Paciência” sobre suas pesquisas e estudos sobre o “maior dos sentimentos humanos”

o retorno de Rôney Rodrigues

A verdade é que ninguém consegue conceituar, explicar e nem pode dizer qualquer coisas a respeito. Mas ele diz. Ele se arrisca.
Depois de uma noite regada a Velho Barreiro e uma conversa esclarecedora com Miles, grande especialista em cornulências e dores de amor, estava pronto para a entrevista. Sim, vou falar com o cara e pretendo redentar todos os amantes, cornos, desprezados, mal amados, mal-comidos, mau-comedores, pessoas com fraturas expostas na alma, gente com a garganta que só se umedece com uísque. Como eu. Como Miles.
Miles sabe mais que eu. Já leu mais Schianberg que qualquer um. Diz, antes que eu saia para a entrevista, que no amor todos são esfinges e, tal qual a lenda tebana, se os enamorados não tiverem respostas para o enigma são devorados. Sem filosofias de botequim, peço a Miles. Mas pensei que talvez fizesse algum sentido e, não fazendo, ao menos era um bonito clichê. Mas, apesar das tentativas filosóficas, Miles não tem as respostas. Eu tampouco. Saio para a entrevista na esperança de que, talvez, Benjamin Schianberg as tenha.
Até esse momento, sou apenas um distraído bêbado, ressacado e conferindo anotações em uma mesa do Café São Paulo. Em minha googleada costumeira para a entrevista, descobri que existem mais de 400 páginas que citam Benjamin Schianberg, que sua obra serviu de inspiração para uma serie da TV Cultura (“O Amor segundo Benjamin Schianberg”) e editoras o procuram para lançar seus livros no Brasil. Também foi ostensivamente citado no romance “Eu receberia as piores noticias de seus lindos lábios”, de Marçal de Aquino, que virou filme, dirigido por Beto Brant e Renato Ciasca (apesar de não ser citado na película). Nada mau para um filosofo ainda vivo. Nada mau para um filosofo ainda vivo e obscuro.
Em poucos minutos Benjamin Schianberg chegará e poderá responder às minhas dúvidas numa sessão terapêutica e sentimental camuflada de entrevista. Mas, por enquanto, é o café que chega. Dou um gole, ele desce pastoso pela garganta e queima no estomago. Schianberg aparece na porta. Termino o café em uma golada só. É hora de trabalhar.

Qual é a pergunta que mais fazem?

Em que meus livros podem ajudar.

E em que seus livros podem ajudar?

Em nada.

O senhor parece ter uma visão ácida das relações amorosas e ser um cara meio amargo, fatalista, que pensa na mediocridade humana...

A vida da maioria das pessoas é medíocre, o que não as impede de enxergar tudo numa perspectiva heroica. Suportamos a existência tentando converter o banal em épico. Pense: apenas 2,4% da humanidade é feliz. Essa ínfima minoria, integrada por monges trapistas, alguns matemáticos, noviças abobadas e uns poucos artistas, gente conservada na calda da mansidão à custa de poesia ou barbitúricos. Um clube de dementes de categorias variadas, malucos de diversos calibres. Gente esquisita, que vive alheia nas frestas da realidade. Só assim conseguem entregar-se por inteiro aquilo que consagram como objeto de culto e devoção. Para viver num estado de excitação constante, confinados num território particular, incandescente, vedado aos demais. Uma reserva de sonho contra tudo que não é doce, sutil ou sereno.

E isso não é bom?

É o mais próximo da felicidade que podemos experimentar.

E por que nos seduzimos para essa “reserva” e não dominamos esse impulso que nos impele à paixão?

Se dominássemos os nossos impulsos, não seriamos mais felizes com isso, mas é certo que muita coisa seria evitada - guerras inclusive. Muitas vezes, entre os amantes, em adição às afinidades do corpo, surge uma sintonia mental, intelectual, que ao propiciar jogos, provocações e brincadeiras privado acentua ainda mais o caráter de cumplicidade na relação. Casais costumam estabelecer espaços particulares de comunicação, inacessíveis ao restante da manada humana ao redor. Intimidade psíquica. E o desejo de se apossar por completo do outro é uma das doenças mais comuns do amor. É o resfriado das moléstias amorosas.

Então cair nessa cilada seria uma loucura.
Há sempre um pouco de loucura no amor, mas há sempre um pouco de razão na loucura, diz Nietzsche, mas eu contesto: na loucura dos amores contrariados não há espaço nenhum para a razão, apenas para mais loucura. A natureza do amor, não nos permite escolher por quem nos apaixonamos, é uma rota que pode conduzir à ruína. Alguns homens sublimam seus desejos, projetando-os num plano apenas mental, e isso é suficiente para satisfazê-los. Outros, apesar de resistirem com diferentes graus de esforço, acabam por ceder às tentações. São o que se chama de “homens de sangue quente”.

Exceto se mantivermos um amor platônico e...

(Cortando-me)
...amor platônico, o 'maldito amor complacente'. Homens de sangue quente, nunca se sujeitam a esse gênero de amor. Preferem abdicar, se a situação for irremediável, a ser passivos como aqueles que se rendem à esplêndida ilusão do amor platônico.

Fale-me um pouco sobre a sua descoberta, a STTL (Síndrome de Transferência Total de Libido).

Queremos o que não podemos ter. A grande desgraça é que as lembranças não bastam para confortar os amantes. Nunca aplacam. Ao contrário: servem só para espicaçar as chagas daqueles que foram condenados à lepra do amor não correspondido. É a Síndrome de Transferência Total de Libido: quando o indivíduo se apaixona com um grau de entrega total a sua libido se transfere, de modo exclusivo, para o objeto amado.

E é aí que dá merda?
Nenhuma vida está completa sem um grande desastre.

Talvez, então, devêssemos evitar esse sentimento...

(Pensa um pouco) No reino amoroso, o 'talvez' é uma moeda sem nenhum valor.

Você me pegou. Então, pelos menos, que se corte o mal pela raiz já no começo.

Mas não é possível determinar o momento exato em que uma pessoa se apaixona. Se fosse, bastaria um termômetro para comprovar a teoria de que, nesse instante, a temperatura corporal se eleva vários graus. Uma febre, nossa única sequela divina.

Uma última pergunta. Sei que não é da minha conta, mas é algo que todos imaginam: a vida amorosa do mais obscuro filósofo do amor deve ser bem tumultuada.

Você tem razão, mas só em uma coisa: não é da sua conta.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Quem é Bundão Levanta a Mão 2


Dando prosseguimento ao texto sobre a manipulação ao estilo Buranku.


Pense no Brasil. Gigante pela própria natureza, belo, forte e impávido. Mas você acredita mesmo que não há grupos de magnatas que influenciam as decisões do Senado e do Congresso Nacional e que todas as leis e decretos são aprovados pelas nossas Excelências simplesmente para o progresso do país? Há interesses privados por trás das decisões do governo e muitos títeres na política brasileira, como não deixaria de ser. Há as elites latifundiárias no Nordeste, como a família Sarney e Cavalcante; industriais e empresários no Sudeste, como os Matarazzos e Marinhos; madeireiros e pecuaristas no Norte e assim sucessivamente, em todos os cantos do país, há manipuladores vestidos de negro, mas por convenção são invisíveis e ninguém protesta ou argumenta contra. Conformismo mórbido.
Quanto à formação intelectual existe a mesma coisa. Você provavelmente se considera autônomo em relação a sua liberdade de pensamento, mas será mesmo que esse pensamento é tão livre? Será que muitas das suas concepções de mundo não são frutos das ações de certos manipuladores de Bunraku, que lhe bombardeia de produtos ideológicos como cinema, música e literatura, construindo uma filosofia coerciva?
Os manipuladores de preto acabam mesmo nos convencendo que temos autonomia e que não há nenhuma força agindo sobre nossos membros. E assim somos “aliciados” em um processo de conformismo. Alguém pode dizer que não é um conformista, mas no fundo é. Sim, lá no fundo todos são. Você não começa sempre fazendo a barba pelo mesmo lado, não deixa passar aquele troco errado só porque eram apenas alguns centavos? Não abotoa a camisa sempre de baixo pra cima e quando vai dormir vira-se sempre para aquele lado, porque é melhor? Esses são sinais de inércia, de indivíduo cooptado, de cabeça-baixa, de conformismo ou, como diz a sabedoria popular, de um “bundão” que é “enrolado”. Há manipulação bem ao estilo Buranku, sim, e aceitamos, por mais antieuclidiano que isso possa parecer.
Pode parecer um exagero falar dessa forma, aparenta aquelas teorias da conspiração tipo que Paul McCartney está morto ou que o papa é judeu. Mas a questão é ações que pensamos ser tomadas como exercício de autonomia, muitas vezes são influenciadas direta ou indiretamente por certos grupos de poder. E nós, somos manipulados, por mais clichê que isso possa parecer. Isso é ou não é ser “bundão”?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Quem é Bundão Levanta a Mão 1


O Bunraku (não é palavrão, adianto) é um gênero do teatro de marionetes que surgiu no século XVI, no Japão. No Bunraku figuras articuladas de mais ou menos um metro, semelhantes a crianças, são manipuladas por profissionais vestidos de preto, cerca de três por boneco. O resultado é uma belíssima cena em que as marionetes parecem ter vida própria.
Não serei o primeiro, nem o último, a fazer uma analogia entre marionetes, como o Bunraku (Luis Fernando Veríssimo, por exemplo), e a vida política e social, por mais desgastada que essas comparações possam parecer. Dizer que somos “manipulados dia após dia” e “simples marionetes do capital internacional” são frases já extensamente repetidas. Mas é aquela velha história, nada é novo e de velharias podem sair idéias originais.
Mas estava falando da arte japonesa do Bunraku. Há um detalhe nesse teatro que chama a atenção, que soa muito peculiar nas artes cênicas. No teatro clássico, todos sabem que o que se representa nos palcos é uma mentira, é pura ficção, muito embora essa mesma ficção diga muito sobre a realidade que a permeia. Portanto, há uma cumplicidade entre espectador e ator, um jogo de adesão. Mas em nenhum outro gênero isso se faz tão explicitamente quanto no Bunraku.
Os manipuladores estão sempre à vista, mas cobertos de preto, dos pés à cabeça. Ficou convencionado, então, que são invisíveis. Simplesmente, por uma questão de convenção, eles adquirem esse atributo de invisibilidade e assistimos a toda a peça sem sequer notar a presença dos manipuladores de preto.
Hoje acontece coisa semelhante: ficou combinado que ninguém vê os manipuladores na cena política e social do país (no caso, os bonecos somos nós, a população). Como se isso não bastasse, ainda querem nos convencer não só a respeito da ausência de manipuladores, mas que os bonecos têm, sim senhor, autonomia. Ou seja, uma "autonomia" articulada por terceiros. Puro jogo de ilusão.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Assinado por Salvador Dalí



Há certas coisas que, embora pareçam uma contradição, revelam-se mais como um drama de Pirandello, uma obra de Magritte ou uma peça teatral de Ionesco. Surrealismo puro, fatos do absurdo. Coisas que por seu aspecto trágico soam como uma comedia.
Veja a noticia que a Folha Online publicou nesse domingo 23/11.

Oito jovens judeus condenados em Israel por práticas neonazistas

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u471099.shtml

É ou não é Surreal? Não parece um pintura assinada por Dalí?


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Esse Menino Vai Longe


Obama venceu. Ele é o todo-poderoso do globo, o bambambam do FMI, o Al Capone da máfia do G8. Numa campanha arrojada e eficiente, ele deslanchou nas pesquisas, passou a Dona Clinton (na verdade, esta foi a verdadeira eleição) e hoje está a frente do Império do Capitalismo, prometendo dar um jeito (não sei qual e, pra falar a verdade, acho que nem ele) na crise americana.
Aparentemente, ele reunia tudo que a sociedade americana repudiava: era negro (os EUA têm um enorme histórico de preconceitos raciais, o senhor King, não o das guitarras, mas o pastor, que o diga) e descendente de mulçumanos (para quem o Bush direcionou a cruzada moderna). Só faltava ser comunista, coisa que Obama, claro, está longe de ser.
Resta-nos uma pergunta. Uma vez, um sobrinho de uma poderosa e riquíssima família americana (não me pergunte qual, sempre esqueço os nomes...) disse ao patriarca da família que queria ser "presidente da república", que respondeu: "Ora, esses empregos mais baixos deixamos para os empregados!". Se por detrás de Bush tínhamos os fabricantes de armas e as empresas petrolíferas como a voz mais eloqüente do governo, quem estará comandando Barak Obama? Pode ser pessimismo sugerir que os presidentes são marionetes, suscetíveis ao mínimo desejo de magnatas, mas essa é uma pergunta que deve ser feita: quem está por detrás de Obama? Respondendo a essa pergunta, muito desse próximo governo seria esclarecido.
Agora se instala um clima de otimismo, afinal, "o primeiro presidente negro foi eleito" e não poderia ser diferente, pois se aquele complô reacionário vencesse, nós, da Gália do globo, e o Oriente Médio estaríamos perdidos. Claro essa eleição, é um avanço na democracia americana, um marco histórico, mas qual bem efetivo será conquistado com sua vitória? São perguntas não fáceis de responder, que exige reflexão e também um tempo de maturação, como um vinho, para que se possa ser respondidas ou degustadas. Cautela, sempre.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Tabuleiro Político 2


Dando prosseguimento a partida, quer dizer, ao texto sobre o badalado segundo turno das eleições bauruenses... Já comentei sobre o aristocrata Caio Coube, agora é a vez do "menino cabeludo".
Rodrigo Agostinho, 28, é jovem e exerce o segundo mandato de vereador em Bauru, tendo sido o mais votado na última eleição. É conhecido por sua atuação em defesa do meio ambiente e por seus projetos de desenvolvimento sustentável, apesar de hoje tais propostas serem secundárias em sua plataforma. Mas há uma serventia nessa idéia fixa de bandeira verde: Agostinho conseguiu forte adesão popular, o que lhe abre colunas para um mate.
Há grande contradição em relação à figura de Agostino: para uns, ele tem uma postura arrojada, para outros, é um mero aventureiro irresponsável. Começou timidamente a campanha, mas avançou sorrateiramente pela diagonal como um bispo e está no segundo turno. Apesar de ser um candidato que sabe lidar com as peças de alto e baixo valor no tabuleiro da política, seu movimento eleitoral é o de um cavalo, a única peça que consegue saltar sobre as outras, como fez ao ultrapassar os votos de Clodoaldo Gazzetta e Rosa Izzo e se consolidando como uma peça dinâmica, de ataque e defesa.
Agostinho, também, enfrenta o problema da viabilidade de suas propostas. Suas idéias são consideradas etéreas. E é nesse ponto que ele procura corrigir sua imagem para o segundo turno, mostrando que suas idéias eleitorais são palpáveis e que se realizarão com sua vitória. Ou seja, não basta só articular as peças para chegar a um lindo mate, é necessário uma objetividade, uma economia de lances e manobras para que a morte do rei não exija sacrifícios angustiantes.
As peças estão postas para o mate nesse segundo turno das eleições em Bauru. Tudo vai depender da visão de jogo de cada um dos dois candidatos. Não sei quem joga com as brancas, nem com as pretas. Aliás, não importa, há só uma dúvida lancinante, que arrebata os moradores da cidade, inclusive nós, universitários, que ficaremos um bom tempo por aqui, usufruindo dos prós (poucos) e dos contras (muitos): qual será o rei morto?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Tabuleiro Político 1

O xadrez é um jogo que exige imaginação, experiência e memória. Mas, além disso, é necessário para se praticar a Arte de Caissa o que os enxadristas chamam de “visão de jogo”, ou seja, saber antecipar os movimentos do adversário para articular forças para a meta principal: dar o xeque-mate.
Caio Coube é amigo do rei: rico empresário, ex-presidente do Noroeste e integrou o Conselho Administrativo da Cesp a convite do então governador Geraldo Alckmin. Um sujeito que conhece o meio político, sabe das regras do jogo, fez uma gigantesca campanha e não por acaso é chamado de “representante da elite”. Joga com peças altas no tabuleiro político, por assim dizer. Mas, como Coube aprendeu amargamente no primeiro turno, nem sempre é conveniente se concentrar em peças de alto valor e relevar o campo de atuação dos peões. Enxadristas experientes sabem que apesar do baixo valor individual do peão, no fim do jogo eles adquirem alta importância e podem ser comparáveis às peças mais altas.
Portanto, Coube avança no jogo: sua estratégia política para vencer no segundo turno é mobilizar, através de passeatas e eventos, a população da periferia da cidade, área que conta com fraca aceitação eleitoral. Ele sabe que os votos da periferia, somados, têm grande poder de decisão e, a essa altura, tem o valor de mil Rainhas.
Resta saber até quando Coube, esse personagem político construido por algum marqueteiro, resiste a perseguição implacável ao seu rei no tabuleiro político de Bauru. Nesse momento, ele parece mesmo é um bonequinho de vodu.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Lula é Fodão Parte 2

Vou dar uma de apresentadora de programa de variedades, daquelas que opinam desde o furacão Katrina até sobre a crise econômica da Tanzânia, e levantar algumas hipóteses a respeito dessa grande popularidade.

Primeira: A questão do suor.
Desde o pastelzinho na feira até a cervejinha no bar do Seu Toninho, Lula adora o povo, marca os brasileiros no corpo a corpo. Ele desce do palácio do Planalto pra ser um plebeu. Lula gosta do suor da plebe, que é, eleitoralmente, afrodisíaco.

Segunda: A questão do sou-um-de-vocês
Ele é do povo, claro. Não importa que seu patrimônio seja enorme e que ele só vá ao Nordeste em viagem oficial. Ele é um tem uma história de vida impressionante, saiu do Sertão e veio para São Paulo abordo de um pau-de-arara, passou fome, sofreu preconceitos e hoje ocupa o cargo mais alto do Brasil. Lula conhece o povo brasileiro, ele é um Silva, não é um cara como FHC, cuja maior sofrimento de vida, provavelmente, foi ter enfrentado o frio europeu sem um cassaco Armani de seu agrado em algum Boulevard de Paris. Lula é o braço popular e esquerdista da frente neoliberal, por mais paradoxal que essa afirmação possa parecer.

Terceira: A questão da retórica
Lula adora discursar. Desde inauguração de obras importantes de infra-estrutura (qual?) até formatura de pré-escola, ele fala. E fala. E divaga sofre divagações. Tudo em uma linguagem simples, que atinge a população mais humilde. São discursos espontâneos, mesmo que essa espontaneidade seja forjada.

Quarta: A questão do nego-até-a-morte
Ele não fez nada. Ele não sabe nada. É tudo intriga da oposição. Todos os escândalos de corrupção foram armados e Lula foi feito de “bode expiatório”. Como disse Marilena Chauí, importante intelectual brasileira (e que participou da fundação do PT), o Mensalão foi “criado pela mídia”. Boa filosofia essa: o racionalismo inexistencial.

Essas hipóteses são contestáveis. Até por mim, que adoro me contradizer. Mas que Lula é um verdadeiro popstar, não resta dúvida. Ficou mais branco e politicamente correto do aquele barbudo comunista de 89 que atacava o Collor em debates. Ficou mais “culto” também, depois que foi acusado de ser intelectualmente incapaz (bom eufemismo usado na época) para governar, sua acessória de marketing pessoal começou a divulgar imagens de Lula fazendo cursos, mostrando que ele estaria preparado para assumir a Presidência da República. Mas sempre se manteve sem diploma, para poder lançar aquela frase emocionada ao ser empossado: “Recebo como primeiro diploma o de Presidente da Republica”. Lula é fodão!

sábado, 4 de outubro de 2008

Lula é Fodão



Deu nos jornais. Folha, Estadão, O Globo, Jornal da Tarde etc. (a Veja está incluída no etc.). Lula é fodão. Segundo pesquisa do CNT/Sensus, o companheiro Silva subiu na sua avaliação pessoal de 69,3% para 77,7%. Ou seja: ele atingiu o maior índice de popularidade na história da pesquisa, que é realizada desde 1998. Bom, pesquisa é como fantasma, tem que acredita, mas vamos considerá-la, em primeira instância, valida.
Isso leva a várias indagações, dentre as quais a mais cabal é: o governo é bom ou a oposição que é incompetente? Bom, avaliando a situação do Brasil, eu fico com a segunda hipótese. O PT estando no poder revelou o quão bom é na oposição e como PSDB e PMDB não sabem fazer uma frente oposicionista decente. Eles tentam, mas é o PT que tem o know-how do assunto.
Não é à toa também que o discurso oposicionista é de evitar o ataque ao governo Lula. “Com Lula tudo bem, o problema é o PT”, diz o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo e picoleiro de chuchu nas horas vagas, Geraldo Alckmin, no seu programa eleitoral.
O diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, disse que a popularidade recorde do governo Lula é conseqüência de políticas adotadas nas áreas econômica e social (ou “assistencialistas”, como diz a oposição). Ou seja, Lula é o maior cabo eleitoral dele mesmo. Isso mesmo: dois empregos. Homem polivalente, esse Silva. É mole ou quer mais?

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Direito de Resposta Concedido ao senhor Buba pelo Ministério dos Blogueiros

Prezado grevista;
Em virtude de sua ação escusa, entrar em greve, principalmente, em uma profissão tão recompensadora e que dá todo o suporte para sua ascensão na imprensa (tipo trabalhar sem remuneração), devo manifestar-me contra essa posição beligerante. A Corporação Haja Paciência S/A, em reunião fictícia por MSN (notificada em scraps do Orkut no dia 66/66/6666) e contando com seu corpo de quatro membros-sócios que detém todo o poder acionário da empresa, decidiu por unanimidade de 3 votos a 1 que não se responsabilizará pelas despesas psiquiátricas que a abstinência de postagem poderá lhe provocar.
A política da empresa para ações grevista é bem clara: chacina sem piedade. Mas como estamos sofrendo pressões de grupos ligados a esquerda-neoliberal, estamos tomando atitudes mais democráticas: você poderá escolher as armas a serem utilizadas na chacina. Isso representa um grande avanço em nossa política empresarial, sempre disposta a promover a pluralidade.
Entrei em contato com o Sindicato do Blogueiros Ausentes para informar-me sobre minha situação, e assessorado por um advogado colocado a minha disposição pelo dito Sindicato (o mesmo advogado do Maluf e que o instrui a fazer aqueles pronunciamentos, digamos, “não convincentes” ), pronuncio-me: “Durante os dois últimos meses eu postei regularmente: um por dia. Mas parece que hackers ligados a oposição tem apagado meus posts com o intuito de denegrir minha imagem junto a Corporação Haja Paciência e abarrotar o processo democrático. Mas o povo está do meu lado!”.

Atenciosamente,
Buba Cara-de-Pau Rodrigues

PS: E já foi uma postagem!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Atração internacional

Depois de muita insistência e até terrorismo psicológico (ameaçamos cortar seu cabelo, caso não entregasse o texto no prazo que estipulamos e, ainda, outros cortes em lugares que não crescem novamente como o cabelo e que faz falta à virilidade masculina), Hikaru, nosso Ricardão, entregou o texto para o Haja Paciência. Nesse meio tempo (que podemos chamar de longo tempo) ele sempre se esquivava de nossas insistentes cobranças com uma justificativa, no mínimo, ordinária: Não compreendo o português.
Pois esse japonês brasileiro que ainda não consegue se sintonizar com o fusão horário dessa outra parte do globo, a parte mais animada e subversiva, mostrou com seu texto que… que… é, realmente, ele não compreende muito bem o português, mas é esforçado e o que vale é a intenção, não é verdade? Em breve estará falando um português tão impecável como o presidente da República. É, o exemplo não foi dos melhores, eu sei.
Hoje pela manhã, ele entregou-me esse material que os senhores leram e disse: O texto está prefeito!
Ouvi e, sadicamente segurando o riso, pedi para ele repetir a frase: O texto está prefeito! Falei algo errado?
Mami, que estava ao meu lado e aparentemente compreendendo o erro idiomático do colega, explodiu em risos. Segui o mesmo caminho e que Nossa Senhora dos Intercambistas me perdoe!
Valeu mesmo pelo texto, Hikaru!
Pois aqui vai: como Hikaru enxerga o Brasil. Além dos olhos, já me adianto antes da piadinha infame.
Um texto prefeito, né?

Bom dia!!!
Tudo bem??
Eu sou Hikaru Ricardo Kayama. Muito prazer!!
Sou intercambista e vim do Japão no dia 17 de julho. Eu tenho vinte anos. Faço 21 anos no dia 14 do mês que vem. Eu estudo na UNESP com amigos divertidos. ^^Eu passei dois meses no Brasil. Ainda não entendo bem as aulas e também não consigo conversar muito, mas minha vida é alegre a graças aos meus amigos. Muito obrigado!!
Bem, quando cheguei ao Brasil fiquei muito admirado.
Em primeiro lugar, tudo é extenso!!! O país, as cidades, as faculdades, os vegetais… todas as coisas são exageradas. Depois, as pessoas também.
Em segundo lugar, muitos brasileiros gostam de futebol!!! Não é?? Tem as muitas quadras de futebol e todo mundo tem seu time favorito. Acho que o país é grande no futebol.
Terceiro, os brasileiros são gentis. Ao abrir qualquer porta, homem abre isso. E homem segue depois de mulher passar. No Japão não existe tal cultura. É a boa nota do Brasil.
Contudo, há uma diferença: no Brasil, o modo de usar o banheiro e de se fazer as refeições são diferentes. No Japão todo mundo usa Hashi. Você sabia??
Depois, no Japão quase não tem festa. Não é festa, tem essas que se chama Evento, LIVE, Concerto etc. Quando eu vou a uma festa, fico animado!!
Bem, não fiz viagem ainda, mas quero ir a vários lugares. Por exemplo, Manaus, Salvador e o Rio de Janeiro (só praia) rs! Vou esperar até os dias das férias!!
Eu termino por aqui, pois ainda não tenho a capacidade para escrever um texto.
Se vocês me verem, venham falar comigo ^^
Tchau☆Até mais!!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Me escapuliu...

O seriado mexicano "Chaves", exibido pelo SBT, empatou com os noticiários da TV Globo, no começo da tarde desta segunda. (Folha Online)

Chaves tem sido a grande atração do SBT desde 1981. Com razão. Ele se mostrou eficiente mesmo sofrendo as inconstâncias do humor de Silvio Santos que troca seu horário na grade de programação assim como troca de gravata.
O menino do barril mostra muito mais agudeza e ironia com os problemas sociais brasileiros (sim, El Chavo é mexicano, o que não impede que suas críticas à sociedade mexicana nos soe extremamente familiar), muito mais do que o jornalismo maquiador da realidade da Globo (está certo que toda realidade jornalística é construída, não existe a suposta Teoria da Objetividade, mas fazer o que a Globo faz já é manipulação descarada e barata) ou, como diz Homer Bonner, o jornalismo Willian Simpson. Não foi sem querer querendo.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Pra não passar em branco...

Hitler já alertava que as massas caem mais facilmente em uma grande mentira do que em uma pequena. E em época de eleições vemos que essa verdade perversa faz mesmo sentido, como há de convir comigo o ministro Celso Amorim que provocou reboliço citando outra frase do Fuher nazista.
Promessas como “vou erradicar a fome em nosso município”, “ninguém nunca mais vai ficar em uma fila de hospital por mais de 30 minutos”, “aplicarei maciçamente na educação, porque educação não é gasto, é investimento” e todos esses discursos demagógicos, reforçam que a população acredita em vindouros dias melhores, acredita nas grandes mentiras que os candidatos vomitam na cara do eleitorado. Afinal, é mais fácil acreditar em alguém que diz que não haverá mais fome e analfabetismo e que a saúde caminhará as mil maravilhas do que em um que diz que só vai dar uma melhorada básica no sistema e que as verbas públicas não dão para construir novas escolas e postos de saúde etc. Sinceridade atrapalha projetos, como bem sabe o leitor quando a sogra pergunta se a sopa de legumes está gostosa ou não.
Mas extrapolar nas mentiras como fazem os políticos nesse período eleitoral é demais. Alguns se apresentam como se tivessem projetos de caráter messiânico na Terra. Outros, como já alertava Nikita Krushev, prometem construir pontes onde não há rio. Cúmulo dos cúmulos. Balelas políticas! É aquela história: há bom político, mas político bom é inconcebível. É como exigir que uma prostituta seja virgem, que o Robinho jogue de beque no Real Madrid, que o Mc Creu componha sonetos em ritmo sáfico. Impossível!
Daí vem a pergunta: e votar para quê?
É difícil escolher um candidato, porque isso implica em escolhas e escolha implica em conseqüências. É como minha avó diz, rapadura é doce, mas não é mole não, não dá pra fazer a omelete sem quebrar os ovos. Sábia dona Berenice. Temos a “escolha de escolher” um candidato. Votar em branco ou nulo, apesar de soar como uma “revolta” pela falta de candidatos dignos (já que hoje escolhemos nossos governantes entre o execrável e o aviltante ou, em outras palavras, o “menos” pior), é confortável, mas inútil. Não contribui com o processo democrático, não dá fluxo ao cenário político (já lento) do país. Pode-se argumentar que esses votos não fazem a diferença, que para trocar seis por meia dúzia tanto faz votar ou não. Pode ser. Pode não ser. Mas quando não se vota, outra pessoa fala em seu lugar. E a quem será que você estará emprestando sua voz?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

sábado, 2 de agosto de 2008

Nota sobre as eleições em Cândia

Inteior de São Paulo. Conversa de ônibus.

_Em quem a senhora vai votar nessa eleição, dona Joaquina?
_Vou votar no Fulano (não quero fazer propaganda)...
_Mas dona Joaquina, não te incomada que ele seja um canalha?
_Não, pelo menos eu sei o que esperar dele... Ah, e além do mais, ele me deu uma cesta básica...
_Uma cesta básica? A senhora não tem vergonha de vender seu voto a um preço tão baixo?
_Não, nenhum um pouco. Primeiro comer, depois a moral...

É o curralismo lancinante!

Você é um Monet?

A pergunta pode parecer estranha, ainda mais porque evoca o célebre pintor francês Claude Monet (1840-1926), autor do famoso quadro Impression, soleil levant, que serviu como matiz para o batismo da vanguarda Impressionista. Mas ressalvo desde já que não se faz necessário qualquer dote ligado às artes plásticas nem requer conhecimentos profundos de História da Arte para responder a questão proposta. Ser Monet, ao pé da letra, significa ser algo de longe (para bom) e outra coisa completamente diferente de perto (geralmente, para ruim). Ou seja, Monet criava paisagens deslumbrantes com complexos jogos de luz e várias nuances de cores, mas olhando com proximidade a tela do famoso pintor, nota-se apenas “borrões” de tintas. Somos assim: de longe uma bela paisagem e de perto insignificantes borrões. A metáfora soa meio piegas, mas é assim mesmo.
Antes que alguém me processe por plágio adianto que essa metáfora não é minha. Eu a vi em um filme inesquecível (no mal sentido da palavra inesquecível, pois o repetem tantas vezes na sessão da tarde que ele já rivaliza em números de exibição com A Lagoa Azul): As Patricinhas de Beverley Hills (Clueless, 1995, direção de Amy Heckerling). Uma patricinha desse filme diz que determinada garota é bonita. Outra, com asco, rejeita: “Que horror! Ela é um Monet! De longe pode parecer bonita, mas de perto não”. Então aproveito a metáfora para falar do mundo da política e da fama, já que ambos buscam a mesma coisa: o poder.
Veja o caso até de Lula e sua geração. José Dirceu, ex-ministro Chefe da Casa Civil e José Genuíno, ex-presidente Nacional do PT, eram comunistas ferrenhos e pegaram em armas contra a Ditadura Militar, hoje são acusados de atos políticos ilícitos. O presidente Lula, líder sindical nos anos 70/80 e que pretendia mudar o contexto social do Brasil, hoje segue modelos governamentais que criticava.
E o bonitão e esportista Collor, esse obscuro objeto político, criou toda aquela áurea de bom menino, bonitão, o “caçador de marajás” e, no entanto, deu no que deu: colloriu todos os narizes brasileiros de vermelho, como palhaços, com o perdão do trocadilho já desgastado.
Vários políticos são borrões: vemos suas boas intenções, sua plataforma eleitoral que promete fazer mundos e fundos para a melhoria do povo, de um caráter e retidão tão convincentes que parecem messiânicos, mas que na verdade são borrões na história política brasileira. Há os casos clássicos de pessoas que nunca foram Monets, como é o caso de Paulo Salim Maluf e seu compadre de política ACM. Sempre borrões, desde crianças. Esses são os típicos casos de que se cogita que formaram uma aliança com o demônio.
E há os casos das celebridades. Veja Frank Sinatra, com toda sua fama de garanhão e macho domador, era corneado passivamente pela bela Ava Gardner. Madonna, um vulcão que buscava a imagem de “mulher moderna”,era espancada pelo marido Sean Penn e aceitava a situação como uma “mulher de Atenas”. Tristes paisagens!
Ronaldo Fenômeno também parecia ser uma bela paisagem do malandro brasileiro (no sentido carioca de boêmia, não no sentido de larápio), grande amante da alma feminina (mas especificamente do corpo), com toda aquela seleção de loiras namoradas modelos, mas revelou ser um borrão com a história dos travestis.
E assim segue vários exemplos na história, na política, nas artes e com todos os mortais da terra.
Mostre-me uma mulher recatada e casta e eu lhe mostrarei que há nela uma meretriz perversa. Mostre-me um cara legal e eu lhe mostrarei um chato. Mostre-me um homem honesto e eu lhe mostrarei um filho da puta. (Principalmente nesse país onde ser sincero é o mesmo que ter asas).
Até em relação às crianças pode se aplicar essa idéia. Reza a lenda que crianças são puras, o que vem a ser uma grande bobagem de acordo com nova maneira freudiana de encarar o mundo. Sim, elas podem ser puras, mas são de uma pureza edipiana.
São muitas paisagens que na verdade são borrões. Quem quer viver só de imagens, tem um teto de vidro. É, todos somos Monets.

sábado, 26 de julho de 2008

Ensino Público ou Demagogia Ministerial

_Qual é a capital do Brasil?
_Hum… aí o senhor me apertou… não poderia me dar uma dica?
_Claro. Ela foi construída no governo de Juscelino Kubitschek e têm monumentos do grande arquiteto brasileiro, Oscar Niemayer!
_Oscar o quê?
_Esquece. Qual é a capital do Brasil?
_Já sei! Rio de Janeiro!
_Não!
_Eu nunca fui bom em Geografia…
_Vou te dar mais uma dica: começa com Bra e termina com sília.
_...
_?
_...
_?
_ Brasília!
_Acertou! Está vendo? Isso prova que a Educação Pública no país não está tão esfacelada e que estamos investindo pesado no ensino de base, e não o contrário, como dizem os hipócritas por aí!
_Verdade, senhor Ministro da Educação.

Dicionário Per-Verso

Continuo com o meu Dicionário analfabeto. Lembro à vocês os critérios para a elaboração do Dicionário: a falta de critério (até de qualidade).

Socialismo: 1 – Quase um orgasmo para as massas, com a (des)vantagem de não haver o post-coitum. 2 – Sistema sócio-político de produção que todos concordam, desde que nunca se implante. 3 – O socialismo só não deu certo por causa dos socialistas.


Jornalista: 1 – Indivíduo de cegueira conveniente e moral relativa. 2 – Indivíduo que gasta quatro anos estudando jornalismo para desaprender tudo em quatro dias de redação.


Corrupção: 1 - Auto-Filantropia. 2 – Quase uma religião para os políticos.



Colaborem com o Dicionário Per-verso!

domingo, 20 de julho de 2008

Dercy Devassa

Aproveito o texto do Musta, Saudosa "porra louca", para emendar mais uma sobre essa musa do kitch.

O jornalista pergunta:
_Dercy, você (pois ela odiava ser tratada por “senhora”) não acha que fala muito palavrão?
Dercy estava sendo provada. Ela não podia deixar barato, teria que responder a altura:
_Porra nenhuma!
Essa era Dercy, uma mulher sem medo (a não ser da morte, claro), muito menos de seu pior vilão: ela mesma. De tão verdadeira, chegou a ser uma personagem, um ser mitológico, um dinossauro da dramaturgia (com certeza ela me mandaria tomar naquele lugar se me ouvisse chamando-a de dragão). Língua afiada, de um esplêndido mau humor que de tão devasso transformava-se em bom humor (aliás, como lembra Ruy Castro, é do veneno de cobra que se faz o soro antiofídico). Afinal, "porra" e "merda" soam muito bem em sua voz. Dercy representava Dercy. Dercy era uma caricatura dela mesma. Dercy era verdadeira, autêntica, embora de uma autenticidade forjada (o que não importa). Ela viveu bastante para muitos, para outros morre na flor da idade. Mas é fato: sua verborragia enrolou a morte por mais de um século! Isso sim é poder de persuasão!
Quando um repórter da Folha lhe perguntou como encarava nunca ter recebido um prêmio importante no teatro, Dercy foi categórica:
_ Para que eu quero essa merda? Eu não quero, até hoje. Quero dinheiro. Não me dê prêmios, que odeio.
De fato, ela conseguiu ganhar muito dinheiro com sua excentricidade, não ser uma grande atriz, mas viver um grande papel, escrito por ela mesma: Dercy Gonçalves!

sábado, 19 de julho de 2008

Dicionário Per-Verso

Como Ambrose Bierce fez seu Dicionário do Diabo, um apanhado de pérolas sobre a política e a sociedade estadunidenses (não que eu seja nacionalista, mas esse adjetivo pátrio é bem melhor do que os modestos “americano” e “norte-americano”), assim resolvi elaborar meu Dicionário Per-Verso. Não que ele seja necessariamente em formato de versos, mas é que achei o nome bonitinho, então vai esse mesmo. Nesse meu Dicionário, a ordem alfabética e lógica não é levada a cabo. Cartesianismos baratos são para os tolos, afinal. Alguns erros são de propósito, outros não.


Lula, s.p. e adj. ao mesmo tempo: 1- Presidente da República Popular Brasileira. 2 – Indivíduo preocupado em convencer que é o Messias e nós não reconhecemos.

Morte: 1 - Indivíduo que se veste de negro, com o rosto todo deformado e uma foice na mão e que de vez em quando faz ponta em filmes de Hollywood, como Pânico. 2 – Mais temida pelo povo que o imposto de renda.

Corrupção: 1 - Auto-Filantropia. 2 – Quase uma religião para os políticos.

Guerra: 1 – Caminho mais eficiente de se obter lucros na razão inversa que se consegue chegar a alguma solução. 2 – Resolver a ausência de neurônios no braço.

Aguarde, ígneo leitor, mais verbetes. Enquanto isso, peço sua colaboração para incrementar e enriquecer esse Diciónário Per-Verso!!