domingo, 30 de janeiro de 2011

Bolada garantida

Pela odisseia virtual cotidiana, encontrei o blog de um professor de literatura, a quem devo boa parte da minha nota no último vestibular que prestei. Desnecessário recomendar a leitura do blog de alguém que tanto admiro, mas recomendo em especial este post.

Ele faz 5 perguntas sobre eleições que eu me atrevi a discutir (na verdade 4, que a última exigiria um conhecimento sobre pós-modernidade que eu jamais fingiria possuir). De pensar nas respostas, surgiu meu interesse no fundo partidário.

É aquela grana que os partidos recebem do Estado pra se bancar (mais os trocados das doações). Antes chingar os malditos e dizer que os impostos deveriam ser usados pra outra coisa, um partido político é uma instituição importante para a democracia. Seria importante que o Estado garantisse sua existência.

Seria, porque deveriam garantir a liberdade política de todas as ideologias presentes no país, assegurando assim a liberdade de escolha do cidadão. Utópico bagarai. Vamos falar de realidade agora:

Os partidos não representam ideologias. Como tudo que sobrou para este miserável planeta, eles são empresas. Tal qual existem Nikes e Adiddas numa loja de calçados, seu partido figura o horário político. Cada produto tem sua vitrine adequada.

Seu governante é um produto. Bem como existem tênis pretos e brancos, masculinos, femininos, all-stars, de couro , de plástico, rígidos ou maleáveis, assim são seus candidatos. Em comum, são descartáveis. Com a diferença que um tênis não dura 4 anos nem na gaveta.

Agora posde chingar os malditos: cada partido tem um CEO e um conselho que não vai sair do poder. Pode votar à vontade. Não os culpe, você não largaria o osso também. Eles recebem uma bolada todo ano, e não é pra menos. Senão , em quem você votaria?

O Fundo Partidário é o que fecha a conta das campanhas. Tanto que, para a campanha mais cara da história, o rechonchudo subsídio engordou 65% (parlamentares gostam dessa porcentagem, né?). Resgatando o Chico Anysio, e o humor televisivo, ido há tantos, "e o salário, ó...".

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

BBB ou eleição? Eis a questão

Resolvi provocar nesse meu primeiro post em 2011!

Um pouco antes de começar o Big Brother eu li, via Twitter, um desabafo "Prefiro 3º turno de eleições à BBB11 no Twitter". E quando se fala em Twitter*, se fala na vida real.

Na hora achei engraçado e até retuitei (quem não entendeu pergunta pro filho), mas depois pensei mais sobre a asseveração (quem não entendeu pergunta pro papai).

Eu não assisto Big Brother, mas nessa luta, resolvi defendê-lo**. Ou ao menos lançar argumentos para uma matutação.

Vamos lá. Para quem gosta de política e não gosta de produtos de massa, é inevitável ir direto na primeira opção. Mas pera lá. Pensando nisso, uni os prós e contras de cada um.

Porque preferir eleições ao BBB:
- o Brasil está longe de ser um país perfeito e tem muita coisa a ser discutida. Eleição é a hora para isso. Não é hora de ficar vendo TV achar que tudo está ótimo se o seu BBB favorito vence
- é muito mais importante para o país debater mudanças estruturais e gastos públicos do que ver um programa de TV e decidir quem fica milionário ou não
- o Big Brother não traz nenhum retorno ao telespectador. O dinheiro do vencedor é problema dele. O ex-BBB não faz nada que influa na sua vida. Só serve para ser admirado, mesmo que não faça nada. Para completar, o povo ainda paga ligação e sms pra escolher o eliminado.
- tem gente que cria idolatria pelo participante do programa, mesmo sabendo que a profissão dele é "ex-BBB".
- ninguém merece aquelas revistas, programas de tv e sites que só falam do programa, dos personagens, das intrigas e fofocas.
- por fim... os BBBs são tontos, superficiais, cheios de plásticas, arrogantes, falsos e tudo mais.

Claro... mas e o outro lado, como fica?

Porque preferir BBB a eleições:
- quem assiste, assiste porque quer e vota porque quer. Não tem essa de voto obrigatório, horário eleitoral.
- o dinheiro do cara do BBB é dele? Melhor ainda. E o dinheiro do povo que o político usa mal, quando não usa em benefício próprio?
- BBB te irrita? E os jingles de campanha? E o carro de som? Já viu santinho de BBB espalhado pelo chão?
- na política não tem ninguém que cria idolatria por um candidato? Não tem o sujeito que trabalha na profissão "candidato"?
- ninguém merece a cobertura eleitoral e eleitoreira de alguns jornais, tvs e revistas sobre as eleições!
- você vai me dizer que não conhece nenhum político ou candidato que seja tonto, superficial, cheio de plástica, arrogante, falso, e PRINCIPALMENTE "tudo mais"?

*em tempo: também surgiu no Twitter a campanha "troque o BBB por um livro". Cito o brilhante adendo de @jota66: Se o livro for do Paulo Coelho "troque o livro pelo BBB'.
**aviso aos navegantes: estou tentando dar ideias, questionar, discordar do senso comum. Não estou fazendo campanha pela Globo, ou pelo BBB. Gosto de política e não assisto o reality show. Só estou levando a questão. OPINE!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Não sou eu, é você...

A brilhante análise do meu re-estreante (Sabe lá o Pasquale se com hífen ou não) amigo Gabriel sobre as enchentes tocou num assunto interessante pra quem gosta de mídia: essa história de interesse público e interesse do público (Não é trocadilho, é redundância mesmo!)

Como os três, se tantos, leitores desse blog são jornalistas (e, eventualmente, blogueiros), essa é uma questão que nos tira o sono. E eu acho que nela se esconde um dos maiores migués da profissão.

A justificativa dessa dicotomia, assim apresentada, é essa: "o povo não gosta de pensar, e um programa de qualidade exige raciocínio pra ser absorvido. Daí por que os BBBs, Datenas e Zorras Totais têm tanta audiência e o Provocações da TVCultura, bem, você sabe. Como a gente é da revolução e o senso comum é de direita, dizemos que fugir do senso comum exige raciocínio e os programas não o fazem, por isso tanta gente concorda com eles."

O pessoal observa que o conteúdo dos programas é diferente (até dói bancar o relativista e dizer só "diferente") mas ninguém observa que a linguagem também é distinta, e que o Datena é muito mais competente que o Abujanra para falar com as pessoas. O Abujanra nem deve ter amigos.

Outro detalhe que ilude os pesquisadores é que eles, como eu, são esquerdistas. E essa doença Marxista que ativa o raciocínio para as mazelas do mundo desativa a observação do óbvio: o Tim Maia avisou há tempos e a gente não aprendeu: "O Brasil é o único país que pobre é de direita".

A gente fecha os olhos pra isso, não quer acreditar, mas essa é a explicação mais coerente; o povo não quer ver o que a gente quer ver: pra grande audiência, os programas são bons porque reafirmam o que ela acredita. O Jabor faz sucesso quando voicifera seus impropérios porque reafirma o que a população quer dizer.

Por que o povo pensa assim? ou, por que a grande audiência é tão reaça? são outros debates. A mídia reafirmando esses valores evidentemente reforça essa característica, mas isso vem depois. Se o Datena e os colunistas que o povo gosta dão opiniões que refletem o senso comum, não é por não pensarem, mas por pensarem assim. Fazer o quê?

Ok, o conservadorismo da tv passa, mas e o BBB, pânico, Zorra etc? Porra, por quê tantas pessoas assistem isso? Uai, pelo mesmo motivo que a pornografia é dos maiores negócios do mundo (ok, isso foi um trocadilho), pulam carnaval ou leem Harry Potter: as pessoas querem entretenimento.

Nao é culpa da TV. Se só houvesse programas sobre alta-cultura as pessoas seriam mais interessadas nos filmes da Nouvelle Vague ou na Bienal do Livro? Eu sei que essa é uma hipótese absurda , mas me parece mais absurdo achar que as pessoas não iriam buscar entretenimento barato.

a internet oferece de tudo, mais do que se pode imaginar, mas quase tudo gira em torno de fofoca e sexo, que é o que resume o que pensamos a maior parte do tempo. Talvez não os intelectuais, claro, e é por isso que reclamam tanto.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Fraca cobertura sobre os desastres faz com que se esqueçam da essência do problema e de quem é a responsabilidade

Os desastres ocasionados pelos desmoronamentos na região Serrana do Rio de Janeiro vem pautando a mídia com imagens chocantes e histórias tristes nos últimos dias. É um prato cheio aos que buscam atingir altos níveis de audiência e buscam, para isso, atingir os telespectadores, leitores e internautas com sensibilidade minimamente aguçada diante da tragédia.

Mais uma vez, a grande mídia se utiliza de uma programação viciada e cega diante dos verdadeiros culpados por desastres naturais. Será o acaso e a má sorte que fizeram com que a British Petroleum derramasse os milhares e milhares de barris de petróleo no Golfo do México? São Pedro está naqueles dias e, indignado com toda perversão humana, resolveu mandar algumas doses a mais de água aqui para baixo? Parece que os grandes veículos acreditam que sim.

A rede Record, por exemplo, faz a cobertura dos desastres sob a ótica dos desesperados, conta uma história mais triste e mais angustiante que a outra e aproveita para fazer o merchan da caridade realizada pela Igreja que a sustenta. A rede Globo elabora noticiários cheios de “exclusivas”, imagens de helicópteros, narra a ajuda proveniente de várias partes do país e até mesmo de pessoas que acabaram de perder seus parentes.

A visão superficial da mídia não só desrespeita o que é realmente de interesse público, como possui, mais esta vez, responsabilidades sérias por se perpetuar o descaso e a ignorância da população quanto aos deveres dos órgãos do Estado. Está na hora dos “grandes” veículos se lembrarem do que se aprende no primeiro ano da faculdade de comunicação social: a diferença clara e crucial entre interesse público e interesso do público.

É interesse público fornecer acesso a uma informação digna e de qualidade. É interesse público fazer com que a população saiba que a responsabilidade por tais tragédias pré-anunciadas é de um Estado omisso frente às más condições de moradia e subsistência de seus eleitores.
Não é nada honesto, aliás, utilizar-se do poder imagético atrativo da destruição e do caos para se fazer acreditar que “a natureza tem seus momentos de vingança”. Como foi veiculado pelo portal UOL ao utilizar a declaração do pároco da igreja matriz de Santa Tereza, o monsenhor Antônio Carlos Mota do Carmo.

Além do Estado, a mídia se omite e quem paga o pato mais uma vez é a população pobre e periférica que tem que pagar impostos do país com taxas tributárias maiores que a de países como o Japão, os Estados Unidos, a Suíça e o Canadá.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Não há caronas na política

Sabe o que é fisiologismo? É quando um representante do povo cede seu voto ao interesse de um lobbista (você também pode chamar de requerênte) em troca de favores pessoais (que você pode chamar de "pastas" de um governo que se forma, mensalão, licitações para a empresa de um camarada etc, a lista é grande).

Se você não for um acadêmico muito sisudo, também pode chamar de patrimonialismo, que é mais ou menos isso aí. É engraçado tanto formalismo pra uma atividade tão informal e cotidiana. Tão cotidiana que tem até um partido só pra garantir que continue existindo. O famigerado PMDB.

Em suma, o PMDB é um partido interesseiro, essa é a palavra, sem firulas. Há muito, o partido abandonou um passado ilustre para defender essa prática, quase uma instituição nacional - que ainda não ganhou data comemorativa por que Sarney ainda vive!

Pois bem. Hoje o nome do Guido Mantega estava nos Trending Topics.
O motivo, uma declaração curta e grossa sobre o salário mínimo, que recebeu RT até do Buda:
"se passar de R$540,00 nóis veta, mano!"
Não é frase mais popular do ministro. Por que ele diria isso? Até quem gosta de bater no governo petista preferiu denunciar a tática fisiologista dos parceiros da situação. A negociação é simples, liberem pastas legais no segundo escalão do governo, e o pessoal do salário mínimo engole o chororô, qual uma criança mimada ao receber sua mamadeira.

É justo não curtir a frase do Mantega. Mas imagine você, por que será que nenhum tucano ou demista apareceu no noticiário para dar coro à reclamação? Lembre-se que a promessa de campanha do Serra era de 600 mangos de salário mínimo, não era?

Já que todo mundo pode palpitar sobre economia e política, eu que não vou me fazer de rogado: os 600 mangos eram papo furado. Não fosse, o PT não brigaria com o aliado por conta de 20 mangos a mais pra passar aumento tranquilo e sem perdas políticas. Tucanos e demistas não dão o pitaco deles porque, se alguém perguntar de onde tirar o dinheiro, eles vão ter que explicar a fórmula mágica. É melhor deixar de lado.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Por seu direito de dizer (o que eu quero)

O vídeo é longo e as melodias das músicas são muito ruins, mas cada minuto vale a pena e cada rima pobre diz mais sobre o Rio de Janeiro do que toda a Bossa Nova fantasiou. O texto que o segue, também é longo. Como ninguém lê mesmo, vou escrever o quanto eu quiser.

Grosso Calibre (High Calibre) from ShootingPoverty on Vimeo.

O pessoal do Instituto Millenium, que tem seu direito de dizer QUALQUER BOBAGEM mais do que garantido, esperneia contra o governo federal e o Conselho Federal de Jornalismo, que pra eles seria sinônimo de censura.

Tão longe de concordar com o pranto deste instituto quanto de acreditar que ele represente um Revival de Abril de 64, tenho que dar o braço a torcer, quando vejo que a censura acontece de fato no país. Pelo Estado e pelo status.

É, o MC Smith testa o Voltaire (se pá, apócrifo, vai saber) em nós. Fala muita bobagem. E, se não faz apologia ao crime, no mínimo desmistifica a posição de mocinho e vilão da história. Só que, numa certa altura do vídeo, se pá cansado de falar bobagem, que aquilo é a realidade do morro. Banquinho e violão, peixe, é só em Ipanema.

O cara teve amigos mortos pelo B.O.P.E. (santos ou não), não é um choque que não amem o Capitão Nascimento como faz a classe média. Se ele canta que usa roupas da marca X, calçados da marca Y, é por que a playboyzada o discrimina pelas roupas que usa e esse é o jeito de mostrar que pode ter o mesmo mau gosto que qualquer Mauricinho.

O Funkeiro foi preso por apologia ao crime, bem como, segundo a lei vigente, também deve ser quem faz apologia ao uso da maconha. Pela regra, se você for favorável ao aborto ou à eutanásia, é bom não sair espalhando sua opinião, que também pode sobrar pra você.

O Estadão reclama estar há quase dois anos sob censura do Estado, que não lhe permite divulgar documentos em segredo de justiça sob um processo movido contra o filho de um famigerado colunista da Folha. Contudo, paga o salário do colunista Demétrio Magnóli (veja, deve ser mal das iniciais) , que, entre lamúrias reacionárias, reclama do apoio que Lula deu ao Wikileaks, numa coluna que poderia ser chamada de "tiro no pé".

O Wikieaks não faz menos do que o jornal - que, acredite, eu admiro, mesmo não concordando- mas, ao invés de cobrar do presidente o mesmo apoio à sua causa, que se resume a um breve parágrafo no final do seu texto, Ataca o Wikileaks falando de uma teoria elitista sobre a distinção entre interesse público e interesse do público, que o colega de redação Eugênio Bucci já mostrou como está ultrapassada.

O Estadão não é santo também. Maria Rita Khel que o diga. Censura? Não, o direito de uma empresa demitir um funcionário que não trabalha de acordo com seus padrões. Estes são os pesos, e as medidas em questão.

A Folha não fica atrás. Além de ser acusada colaborar com a ditadura, o jornal não gostou muito da crítica que recebeu. Apesar de reclamar, como o restante da Imprensa, da cara feia que faz o presidente quando uma crítica o importuna, processou um site que a satirizava e tirou do ar seu antigo domínio, Falha de São Paulo. A treta é que os caras do site tem um milhão de contatos, e levantaram o site Desculpe a Nossa Falha, e estão fazendo barulho.

Curiosamente, a Folha não recebeu processos por fazer praticamente a mesma coisa.

É muito difícil não se posicionar sob as questões abordadas. Jornalista bom mesmo não consegue.
E, ao se posicionar, fica muito difícil aceitar o que o pessoal do outro lado diz. Dá muita vontade demandar calar a boca, ou de pedir pra Justiça mandar calar a boca. Um poema que você conhece, e deve achar que é do Maialovski (mas é de Eduardo Alves da Costa) explica o fim da história:

Até que um dia,

o mais frágil deles

entra sozinho e nossa casa,

(...)

arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada

Pra que a voz que diz o que você quer ouvir ser arrancada como no poema, é só achar que tudo bem se, um dia, qualquer que seja, a voz do outro lado for limitada. O revide não é um jogo de soma zero. Quando um revida, o outro vai estar perdendo e vai querer revidar. Pois é.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Mais uns conselhos ao revoltado

Sobre o texto do Jota, eu reuni mais alguns conselhos aos revoltados:

1 - é terminantemente proibido usar o termo "companheiros". Chamar os colegas manifestantes de "camaradas" então nem pensar.

2 - pode cantar! É bom, faz bem pra saúde, faz mais barulho... mas "um, dois, três, quatro, cinco, mil" vai pra puta que o pariu!

3 - seria magnífico chamar a atenção do máximo de gente possível, mas não faça isso parando uma avenida, sobretudo da maior cidade da América Latina. Pode ter certeza que nenhum veículo de comunicação vai dar atenção pro motivo do protesto, só pra consequência. Você só conseguirá atrair a antipatia do povo.

4 - Pelamor!! INOVE!


Manual do bom militante

Tem pouca coisa que me irrita mais que os desmandos políticos nacionais.
Um forte candidato a superá-los é a mania do povo de protestar de acordo com uma cartilha maldita que reza os seguintes dogmas da militância, quais sejam:
§1. Todo e qualquer manifestante deverá usar preto;
§2. É conveniente misturar todas as reivindicações num mesmo protesto;
§3. Os organizadores do protesto deverão usar de linguagem adequada para o público manifestante.
#3.1 A linguagem deverá ser douta e apenas ligeiramente compreensível para as manifestações que busque o endosso popular;
#3.2 A linguagem deverá ser descolada cheias de gírias de malandrões do gueto, tal qual se vê fidedignamente retratada pelo personagem Boça ou pelos personagens de um dos bastiões da teledramaturgia brasileira, a novela Malhação, sempre que a plateia for composta por adolescentes;
§4. Todo e qualquer manifestante reconhece o portador do megafone como seu pastor e nada lha faltará no que depender deste;
#4.1 O portador do megafone tem a prerrogativa de reunir os manifestantes e revisar, em forma de monólogo extensivo ou jogral com os demais líderes.
§5. Toda reunião que protocolar um documento sobre o manifesto deverá tratar de cada minúcia do tema antes de abordar a questão principal, que geralmente é unânime.
§6. O movimento Caras-Pintadas será sempre a referência mor do movimento e seu hino será tocado ao final de qualquer ato reivindicatório
$7. Os cartazes deverão trazer os dizeres ABAIXO + motivo do manifesto. Em caso de dúvida, completar com ditadura.
§8. As cores a serem estampadas no rosto dos manifestantes deverão seguir o padrão indicado abaixo, em ordem de importância:
a)Manifesto contra corrupção e abuso de poder: Preto + cores da Bandeira
b)Manifesto contra violência: Preto + vermelho
c)Manifesto em favor dos direitos dos homossexuais: Cores do Arco-íris + Pretinho Básico
d)Manifesto em favor da legalização de drogas culturais: Preto (pode ser cinza) + Verde, Amarelo e Vermelho
e)Manifesto pela Paz: Exclusivamente Branco.
§9. É IMPRESCINDÍVEL O USO DE NARIZ DE PALHAÇO PARA QUE A MANIFESTAÇÃO SEJA RECONHECIDA COMO TAL.

Gostaria de deixar claro que defendo todas as causas citadas acima, até mesmo a última, geralmente defendida em casos de violência indisciplinada que atinge a classe média ao invés de limitar-se à população de baixa renda. Contudo, é revoltante ver como até as manifestações populares foram enlatadas e congestionaram a criatividade da manifestação política.

O mais do mesmo é extremamente prejudicial à causa defendida, que perde o apelo popular por falta de inovação, por falta de mostrar que quem está ali gritando está protegendo os interesses de uma população oprimida.
Criatividade é marca registrada de um ativismo que teve muita dificuldade de driblar a censura (mais sobre ela no próximo post). Mas hoje, ainda que as fileiras manifestos sejam formadas sobretudo por universitários das ciências humanas, é como se o vírus simbionte da classe-média alienada e pouco autônoma parece ter infectado a todos, por mais politizados que sejam.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

CQSenta lá, Cláudia

Atendendo à provocação do Russo, vou comentar sobre o prorama do Marcelo TAS.
O cara é um gênio da mídia, sabe fazer TV como ninguém. Depois do Serginho Groismam, claro.
A mais notória peripécia dele é a adaptação do Argentino CQC, de estrondoso sucesso.

Não tiro seu mérito de saber reciclar o programa dos hermanos e adaptá-lo à nossa cultura.
Se o humor faz sucesso aqui mais que tudo, que mantenhamos o humor. Se é sexo que as pessoas querem ver, que o sexo seja abordado no programa. Esculacho de políticos e estrelas, tem relativa importância, que os esculachem. São itens essenciais para a sobrevivência de um programa na TV com as pretensões do CQC. O mal do CQC, bem como da mídia nacional em geral, é não desafiar o espectador.

Em nome da audiência, uma fórmula de programa que poderia dar certo além de não evoluir vai se desgastando, caindo no óbvio. Foi assim que o humor resumiu-se aos bordões da Praça É Nossa ou Zorra Total. Com o CQC, a história se repetiu.

Quadros como o Proteste Já perderam seu caráter de denúncia de patrimonialismo para virar relatório de violência aos repórteres, com direito à chamadas durante a programação com cenas das agressões. Logo, o caráter político do programa foi se perdendo, dando lugar ao tititi de festas de ente famosa e piadinhas baratas no pior estilo Amaury Júnior. O Pânico já fazia essa bobagem há anos e pelo menos algumas nádegas aparecem entre um entrevistado e outro.

Essa queda na qualidade do programa - de seus critérios - ocorre em nome da audiência e da lógica "se eu exigir menos do espectador, mais gente consegue ver". Qualificar o espectador é muito difícil em um país cuja educação é convenientemente desprezada, mas quando não há nenhuma tentativa neste sentido, é sinal de nada de novo vai ser apresentado ali.

Há sim como falar com o público sem ser raso. O Altas Horas, às 2 da madrugada de sábado, disputando com o Cine Privé, fala de sexo com a Laura Müller. É uma forma de emancipar o povo, tão igorante no assunto.

Falar de política sem esculhambar figuras, mas explicando as ideias dos partidos seria uma tentativa de emancipação, mas isso é querer demais. Escancarar a ignorância de alguns políticos já serve. O mau-caratismo de outros também. Mas bater no Maluf, no ACM, é praxe, não conta.

Quem precisa ser escancarado, Bolsonaros, Afanásios, Dirceus, Agripinos etc são deixados na paz das entrevistas dos jornalões que os bajulam, protegem ou não conseguem alcançar. CQC fez isso no início. Não faz mais. Prestou um serviço pra população. Não presta mais.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

As esquerdas

Nao bastassem os debates dos centros acadêmicos que participei, o #atoWikileaks confirmou uma velha suspeita minha:
Falta dialética interna pra esquerda.

O debate de ontem lembrou o ainda mais antigo dilema da esquerda , divdida entre os grupos que aceitam jogar com as regras atuais - pra poder jogar também - e a ala mais dogmática (por favor, sem o tom pejorativo do termo) que prefere ser fiel às suas bases conceituais mesmo que isso a impeça de um dia chegar ao poder.

O diálogo, ao qual nos dizemos favoráveis, convenhamos, é miseravelmente falho. É comum recorrermos a um mesmo tópico exaustivamente, não por conta e respostas insatisfatórias, mas por que as soluções encontradas por aquele que responde não foram satisfatórias.

Pô, a regrado jogo para o Wikileaks era vazar pra alguém que desse visibilidadepra bagaça. Com todo respeito à Carta e à variados meios, Folha e Globo, por pior que sejam, tem maior audiência. Seguramente foi esse o critério usado.

Porque não distribuíram os vazamentos aos demais veículos? Essa pergunta foi a mais intressante, embora feita para a pessoa quenão podia responder. Mas considerando que eles só vazaram pra 5 jornalões lá fora, ter dois só aqui não é um número pequeno. Talvez seja uma questão de praticidade de mobilização de equipe, nao sei, mas sinceramente, me parece uma justificativa plausível.

Pode não ser plausível pra você, eu entendo e discuto, mas ficar horas apedrejando a Nathália Vianna por causa da escolha da Organização Wikileaks, espero quepossamos concordar neste ponto, é inútil!